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Já quase não há habitação por menos de 200 mil euros em Portugal

© Raúl Reis / BOM DIA

O acesso à habitação em Portugal está a tornar-se cada vez mais complicado à medida que os preços das casas sobem muito mais rápido do que os salários. Afinal, há cada vez menos casas no mercado que as famílias podem pagar sem ultrapassar os seus limites de esforço, segundo o portal imobiliário Idealista.

Prova disso é que a oferta de casas à venda até 200.000 euros caiu 73% no país nos últimos cinco anos, tal como revelam os dados do Idealista. Em contrapartida, estão a aparecer no mercado habitações cada vez mais caras, que custam mais de meio milhão de euros.

O retrato habitacional português não é animador: a oferta de casas mais acessíveis à carteira das famílias tem caído de forma acentuada, dando lugar a outras bem mais caras. É isso mesmo que espelham os dados agora revelados: a oferta de casas à venda até 200.000 euros desceu 73% entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2025. Também no patamar seguinte – entre 200.000 e 300.000 euros – o stock disponível para comprar recuou 32%.

Por outro lado, têm aparecido no mercado residencial português casas a preços mais elevados. O número de habitações colocadas à venda por valores entre 400.000 e 500.000 euros subiu 37% em cinco anos. E as casas para comprar que custam mais de 500.000 euros cresceram 42%. Os elevados custos de construção, atrasos nos licenciamentos e alta carga fiscal pode ajudar a explicar esta evolução, acabando por puxar os preços para cima a nível nacional.

Ao nível das capitais de distrito ou de regiões autónomas, verifica-se que praticamente todas as grandes cidades têm, hoje, menos casas à venda até 200.000 euros do que há cinco anos. A única exceção é Vila Real, onde a oferta de habitação mais acessível cresceu 16%.

Aliás, observa-se ainda que a oferta de casas até 200.000 euros caiu para quase metade neste período em várias cidades portuguesas, como Funchal, Faro, Lisboa, Ponta Delgada, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga. A verdade é que estas habitações mais baratas tendem a desaparecer rapidamente do mercado, por estarem mais alinhadas com os rendimentos das famílias. Além disso, os promotores e construtores têm revelado dificuldade em colocar casas no mercado a preços baixos, devido aos altos custos de construção, impostos e outras despesas.

No patamar seguinte de preços das casas – entre 200.000 e 300.000 euros – observou-se uma queda na oferta em 12 grandes cidades entre o verão de 2020 e o verão de 2025. As maiores reduções foram observadas no Funchal, Faro e Lisboa (todas acima de 75%), enquanto no Porto a queda foi de 44%. Por outro lado, também é visível uma subida do número de casas para comprar nesta faixa de preços em oito cidades do interior do país e Alentejo, com Beja a duplicar a oferta. 

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