De que está à procura ?

Europa

Islândia prepara referendo sobre adesão à União Europeia

© dr

A Islândia, que já foi candidata à adesão à União Europeia e cujas negociações foram suspensas e depois retiradas em 2015, está a preparar um novo referendo nacional para decidir se deve reabrir o processo de adesão ao bloco europeuaté 2027. A proposta foi articulada pelo novo governo islandês — uma coligação liderada pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir — e reflecte um interesse renovado do país em reconsiderar as suas relações com a UE. 

O referendo não será, em princípio, um voto direto sobre a adesão final à União Europeia, mas sim sobre a reabertura das negociações formais de adesão com Bruxelas. Se a maioria dos eleitores apoyar essa reabertura, o governo poderá avançar com novos contactos e negociações com as instituições europeias, com vista a eventualmente retomar um processo que ficou interrompido há mais de uma década. 

A questão da adesão tem sido um tema controverso na política islandesa ao longo dos anos, com divisões internas e debates que se estendem a diferentes sectores da sociedade, nomeadamente em torno da soberania nacional e de sectores económicos estratégicos, como a pesca. Em 2009, durante o período pós-crise financeira, a Islândia submeteu um pedido formal de adesão à UE, mas o processo acabou por ser suspenso e depois retirado no início da década passada. 

A intenção do atual executivo de submeter a questão a um referendo até 2027 vai ao encontro da vontade expressa por uma parte significativa da população e de sondagens recentes, que mostram que uma maioria dos islandeses apoia a realização de um plebiscito sobre o recomeço das negociações ou a própria adesão ao bloco. Diferentes estudos de opinião indicam que componentes importantes da sociedade islandesa desejam uma decisão democrática sobre o futuro das relações com a UE, embora os níveis de apoio à adesão final variem conforme a pergunta formulada. 

Este referendo surge num momento em que a Islândia também tem intensificado laços com a União Europeia em áreas específicas, como a segurança e defesa, com conversações em curso para parcerias mais estreitas mesmo antes de qualquer decisão sobre adesão plena. A posição declarada das autoridades islandesas é que a decisão final cabe em última instância aos cidadãos islandeses, enfatizando a importância de um processo de consulta claro, transparente e protagonizado pela própria população. 

Caso o referendo se realize conforme planeado, a Islândia poderá tornar-se num dos poucos países europeus a reabrir o debate sobre a integração na União Europeia através de um processo democrático direto.

TÓPICOS

Siga-nos e receba as notícias do BOM DIA