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Investigadores portugueses criam dispositivo para tratar infeções ósseas

Investigadores do Instituto Nacional de Engenharia Biomédica e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desenvolveram um dispositivo que, ao “libertar localmente e de forma controlada” um antibiótico no tratamento de infeções ósseas, melhora a recuperação do doente.

“A presente estratégia terapêutica para combater infeções ósseas é frequentemente ineficiente e apresenta algumas desvantagens, tais como, o tratamento ineficaz de infeções ósseas graves ou a longa resistência no hospital para administração sistémica de antibióticos”, contou Susana Sousa, investigadora do Instituto Nacional de Engenharia Biomédica (INEB), no Porto, e responsável pelo projeto.

Em declarações à Lusa, Susana Sousa explicou que o dispositivo médico, denominado HECOLCAP e desenvolvido, desde 2013, em colaboração com investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, visava a criação de “uma alternativa eficaz” na aplicação do tratamento de infeções graves em doentes com pé diabético ou que desenvolveram infeções na sequência da aplicação de uma prótese ou implante.

“A tecnologia associa num único produto, com composição química e morfologia que mimetiza a estrutura da matriz extracelular do tecido do osso trabecular”, esclareceu.

O dispositivo médico permite assim “transportar e libertar localmente de forma controlada” o antibiótico, que uma vez libertado, faz com que as células “sejam capazes de se organizar de forma a gerar osso novo” e a regenerarem o tecido.

“Com estas duas valências pretende-se efetuar o tratamento da infeção e a recuperação funcional do tecido apenas com uma intervenção, ao contrário do tratamento convencional que envolve pelo menos, duas cirurgias”, frisou a investigadora.

Segundo Susana Sousa, a tecnologia desenvolvida evita ainda os “longos períodos no hospital”, reduz os custos do tratamento e melhora “significativamente” a qualidade de vida durante a recuperação dos pacientes.

O dispositivo ‘HECOLCAP’ foi premiado com o segundo lugar do Prémio de Inovação em Saúde i3S-Hovione Capital, no valor de 17.500 euros, e vencedor do prémio BfK- Born from Knowledge e do prémio da Patentree.

A equipa que esteve envolvida na criação do ‘HECOLCAP’ pretende agora “comercializar a tecnologia” através de um licenciamento a uma empresa de dispositivos médicos.