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Imperfeita

Há dias que não escrevo.
E surgiu um texto num passado recente mas nunca o escrevi…
Perdi o título e parte desse conteúdo…
Erro meu, pois nessa noite deveria ter saltado da cama e pegado na caneta!
Mas o cansaço mental foi mais forte.
É mesmo assim, sou imperfeita.
Imperfeita e cruel comigo mesma, é, por vezes sou assim.
Mas que fazer?
Como reagir neste filme de ficção científica chamado “ANO 2020”?
Em Março recebi o convite inesperado de tornar-me atriz.
Muito surpreendida, aceitei o convite sem hesitar (é a minha parte aventureira de menina de 16 anos, inconsciente e alegre).
Os dias passaram e meses depois eu continuava a representar aquela mulher de 45 anos mas sem nenhuma instrução do realizador nem guião.
Fiquei doente e voltei à meditação, reencontrei o meu mundo espiritual onde aprendo tudo e onde sinto a vida com uma tal intensidade que não existem palavras para descrever esse tudo.
Esperei o guião chegar.
Deixei de dormir, deixei de me alimentar corretamente (segundo a minha higiene de vida), não conseguia entender todas aquelas contradições criadas pelo cineasta Covidor.
Fechava-nos em casa.
As crianças deixaram a escola.
Os jantares no restaurante eram inexistentes.
O trabalho era em casa e até as compras vinham até casa.
Ninguém visitava ninguém.
Ouvia-se música das janelas abertas no Verão sem praia.
A minha aventura como atriz tinha afinal um preço muito elevado.
Ser a sobreviver.
Que sentido queria o Covidor dar à palavra vida no meio de tanta dor, incompreensão e crueldade?
E um dia atingi um nível de vida paralela extrema que considero de loucura, entrei na plateia e gritei “Eu amo a vida e nada nem ninguém me fará mudar isso! Ouviste, Covidor?”
E a 2m de mim, o Covidor sorriu e respondeu:
“Obrigada, representaste na perfeição o teu papel, e encontraste tudo o que eu precisava transmitir!”
E assim terminou o filme com a minha réplica.
É, sou imperfeita e é assim dessa maneira que vou continuar a viver.

BV091220

 

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