Imobiliário na Europa: Roménia tem mais proprietários e Portugal bate recordes de subida de preços
Na sequência das recomendações do Parlamento Europeu, que pediu a construção de 10 milhões de novas habitações, prazos de licenciamento mais rápidos (60 dias), apoios dirigidos a agregados de baixos e médios rendimentos e investimento em habitação eficiente e de qualidade, um novo relatório da consultora RationalFX traça o panorama atual do mercado residencial na Europa e destaca desequilíbrios estruturais que complicam a concretização dessas metas.
A análise da RationalFX aborda propriedade, tipologia de habitação, evolução de preços por habitação e por metro quadrado, ritmo de construção relativo à população e disparidades regionais. Os resultados confirmam contrastes acentuados entre Leste e Oeste: países do Leste europeu apresentam as taxas de propriedade mais elevadas — Roménia (94,3%), Eslováquia (93,1%), Hungria (91,6%) e Croácia (91%) — enquanto mercados como a Suíça (42%) e a Alemanha (47,2%) permanecem dominados pelo arrendamento.
O documento também mostra diferenças claras na tipologia dominante. Irlanda e Países Baixos mantêm uma forte preferência pela habitação individual — mais de 90% e 77,1% respectivamente — enquanto apartamentos são majoritários em Espanha (65,3%), Letónia (64,4%) e Suíça (64,4%), reflexo de maior densidade urbana, escassez de solo e modelos de planeamento que privilegiam habitação coletiva.
No capítulo dos preços, até janeiro de 2026 os valores médios por habitação mais elevados encontram‑se em Luxemburgo (€961.333), Copenhaga (€916.333) e Berna (€852.976). Em termos de preço por metro quadrado os picos vão para Luxemburgo (€11.095/m²), Paris (€9.678/m²) e Oslo (€9.191/m²), diferença que evidencia como o tamanho médio das habitações influencia rankings agregados de preço total face ao valor do espaço urbano.
A dinâmica de preços entre o terceiro trimestre de 2024 e o terceiro de 2025 aponta para pressões fortes em partes do Sul e Leste da Europa: Hungria (+21,1%), Portugal (+17,7%), Bulgária (+15,4%) e Croácia (+13,8%). Por outro lado, mercados como Luxemburgo, França e Suécia mostraram crescimento praticamente nulo e a Finlândia registou uma queda de 3,1% no período, sugerindo heterogeneidade dos choques de procura e oferta à escala europeia.
No capítulo da construção, os dados de 2025 indicam grandes variações na intensidade de licenciamento. Malta lidera quando ajustado à população (cerca de 162 habitações aprovadas por 10.000 habitantes), seguida por Turquia (86/10.000) e Albânia (72/10.000). Itália apresenta a menor intensidade de construção entre os países analisados, com apenas 6,38 habitações aprovadas por 10.000 residentes, um sinal problemático face às metas ambiciosas defendidas pelo Parlamento Europeu.
O relatório da RationalFX sublinha que políticas comuns — como acelerar licenças, estimular construção eficiente e direccionar apoios a quem mais precisa — esbarram em realidades locais muito distintas: regimes de propriedade, tipologias dominantes, capacidade de produção e pressões de preço variam de forma marcada. A implementação prática das recomendações europeias exigirá, portanto, estratégias diferenciadas que conciliem metas continentais com instrumentos adaptados às especificidades nacionais e regionais.