Há um português entre os vencedores dos Grammys
Nuno Bettencourt tem razões para celebrar. O guitarrista açoriano recebeu o prémio Best Rock Performance (Melhor Atuação Rock), sendo que a nomeação para os Grammy Awards deve-se ao tema “Changes (Live from Villa Park) – Back to the Beginning“, de Yungblud, que conta com a participação de Frank Bello (Anthrax), Adam Wakeman, II (Sleep Token) e do próprio guitarrista português.
O guitarrista natural da ilha Terceira, Açores, concorria ao prémio com Amyl and The Sniffers (“U Should Not Be Doing That”), Linkin Park (“The Emptiness Machine”), Turnstile (“NEVER ENOUGH”) e Hayley Williams (“Mirtazapine”).
Os vencedores subiram ao palco dos Grammy juntamente com Sharon Osbourne, viúva de Ozzy Osbourne, que estava visivelmente emocionada com a vitória. Yungblud fez o discurso de aceitação e Nuno Bettencourt falou mais tarde aos jornalistas, na sala de entrevistas aos vencedores.
A performance, registada no concerto “Back to the Beginning” em Vila Park, Birmingham, Inglaterra, em 5 de julho de 2025, foi reconhecida pelo seu impacto e energia, tendo conquistado o galardão na noite deste domingo, constituindo um momento de particular relevo para a comunidade lusófona presente na cerimónia.

O português falou da ascensão da inteligência artificial e disse aos músicos aspirantes que não se preocupem com isso, porque nada pode substituir a magia das atuações ao vivo.
“Esta é a maior oportunidade para os rockers e para o rock’n’roll”, afirmou. “A música verdadeira e as canções verdadeiras são histórias reais que te tocam, há sangue na partitura, colocas-te nessa partitura e ninguém vai reproduzir isso”, continuou.
“A imperfeição é a essência do rock’n’roll. Toda a gente tenta disfarçar as imperfeições, mas é aí que reside a essência”, disse. “E, se conseguires fazer isso em palco, que é onde o rock’n’roll realmente acontece, a IA não se vai meter contigo”, acrescentou.
Nuno Bettencourt emigrou com a sua família para os Estados Unidos quando tinha apenas quatro anos. Ao longo da sua carreira, Bettencourt tem sido aclamado pela sua técnica e versatilidade, colaborando com inúmeros artistas de renome e participando em diversos projetos musicais.
Recorde-se ainda que Nuno Bettencourt, conhecido pelo seu trabalho com a banda “Extreme”, lançou recentemente a sua própria marca de guitarras.
Nuno Bettencourt, era um de dois portugueses nomeados para a 68ª edição dos Grammy. O outro era Bráulio Amado, designer e ilustrador, que foi nomeado na categoria de Melhor ‘Recording Package’ pelo trabalho gráfico do álbum “Balloonerism”, de Mac Miller, desenvolvido com o artista norte-americano Alim Smith. O Grammy acabou por ser entregue a Meghan Foley e Michelle Holme, diretores de arte de “Tracks II: The Lost Albums”, de Bruce Springsteen.

A entrega de prémios aconteceu este domingo, 1 de fevereiro, na Crypto.com Arena, em Los Angeles. A cerimónia, apresentada pelo humorista sul-africano Trevor Noah, começou às 17h00 (hora local), mas a entrega dos 95 prémios arrancou ao início da tarde.
Acrescente-se porto-riquenho Bad Bunny, os mexicanos Natalia Lafourcade e Carín León, os argentinos Ca7riel & Paco Amoroso e a cubano-norte-americana Gloria Estefan triunfaram no domingo em várias categorias, na pré-gala dos prémios Grammy, em Los Angeles.
Bad Bunny venceu o prémio de Melhor Atuação Musical Global com “EoO”, categoria à qual eram também candidatos os temas “Cantando en el Camino”, de Ciro Hurtado, e “JERUSALEMA”, de Angélique Kidjo, entre outros.
Esta é a primeira vitória do artista porto-riquenho na 68.ª edição dos prémios Grammy, cuja cerimónia oficial começará mais tarde, embora já tenham sido anunciados os distinguidos em várias categorias durante a pré-gala.
Lafourcade ganhou o prémio de Melhor Álbum Pop Latino com “Cancionera”, o seu 10.º projeto de estúdio, que afirma sintetizar a sua evolução artística e pessoal.
A artista mexicana competia nesta categoria com “Cosa Nuestra”, de Rauw Alejandro, “Bogotá (Deluxe)”, de Andrés Cepeda, “Tropicoqueta”, de Karol G, e “¿Y ahora qué?”, de Alejandro Sanz.
Por sua vez, Carín León voltou a impor-se, pelo segundo ano consecutivo, na categoria de Melhor Álbum de Música Mexicana (incluindo texana), com “Palabra de To’s (Seca)”.
O mexicano levou a melhor, nesta edição dos Grammys, a projetos como “MALA MÍA”, de Fuerza Regida e Grupo Frontera; “Y Lo Que Viene”, também do Grupo Frontera; “Sin Rodeos”, de Paola Jara; e “Bobby Pulido & Friends. Una Tuya Y Una Mía – Por La Puerta Grande (En Vivo)”, do texano Bobby Pulido.
Os argentinos Ca7riel & Paco Amoroso, vencedores de cinco Grammys Latinos na edição deste ano, continuaram a expandir o seu legado, levando para casa o prémio de Melhor Álbum de Rock Latino ou Alternativo com “PAPOTA”, um álbum que satiriza a indústria musical.
A primeira vitória desta dupla nos Grammys deu-se deixando para trás outros nomeados nesta categoria, como “Genes Rebeldes”, dos Aterciopelados; “ASTROPICAL”, de Bomba Estéreo e Rawayana; “ALGORHYTHM”, de Los Wizzards; e “Novela”, de Fito Paez.
Também a aclamada Gloria Estefan foi distinguida, com “Raíces”, com o Grammy de Melhor Álbum Tropical Latino.
Este é o quinto Grammy da sua carreira, depois competir com “Fotografías”, de Rubén Blades, Roberto Delgado e Orquesta; “Clásicos 1.0”, do Grupo Niche; “Bingo”, de Alain Pérez; e “Debut y Segunda Tanda, Vol. 2”, de Gilberto Santa Rosa.
Os músicos de origem cubana Gonzalo Rubalcaba, Yainer Horta e Joey Calveiro obtiveram o Grammy de Melhor Álbum de Jazz Latino, para “A Tribute to Benny Moré and Nat King Cole”.
A pré-gala dos Grammy centrou-se numa homenagem às vítimas dos devastadores incêndios florestais de Los Angeles, que causaram a morte de 29 pessoas e destruíram mais de 16.000 estruturas, e ficarão para a história dos Estados Unidos como um dos seus desastres naturais com maiores custos humanos e materiais.