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Grande estudo científico refuta ligação entre paracetamol na gravidez e autismo

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Uma revisão científica abrangente publicada recentemente na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health veio concluir que não existe evidência de que o uso de paracetamol durante a gravidez aumente o risco de autismo, TDAH (transtorno de défice de atenção e hiperatividade) ou défices intelectuais nas crianças. A análise, liderada pela obstetra e investigadora Asma Khalil, avaliou dezenas de estudos e utilizou metodologias rigorosas para controlar fatores genéticos e ambientais que podem influenciar o desenvolvimento neuropsicológico infantil.

A investigação surge no seguimento de declarações feitas em 2025 pela então administração norte-americana que sugeriam, sem base científica robusta, uma ligação entre o uso do medicamento — conhecido nos Estados Unidos como Tylenol — e o aumento de casos de autismo em crianças. Essas afirmações tinham gerado preocupação entre grávidas e profissionais de saúde e sido alvo de críticas por parte de especialistas médicos e organizações internacionais.

O novo estudo, que incluiu uma revisão detalhada de 43 estudos de alta qualidade, destaca que os trabalhos mais fiáveis — especialmente aqueles que comparam irmãos expostos e não expostos ao paracetamol — não encontraram qualquer associação significativa entre o analgésico e os distúrbios do neurodesenvolvimento. Os autores sublinham que fatores hereditários e familiares, ou as próprias condições médicas que conduzem ao uso do fármaco (como febre ou dor), são explicações mais plausíveis para quaisquer correlações observadas em investigações anteriores de menor robustez.

Médicos e investigadores apoiam as recomendações de organismos internacionais de saúde que consideram o paracetamol seguro durante a gravidez quando utilizado de forma adequada para controlar dor ou febre. Além disso, salientam que evitar completamente o medicamento pode representar riscos adicionais para as gestantes e os fetos, dado que febres elevadas e dores intensas não tratadas têm sido associadas a complicações obstétricas.

Este estudo representa um reforço importante das orientações médicas existentes e pretende clarificar a evidência científica sobre um tema que, nos últimos meses, esteve no centro de controvérsia pública e mediática.

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