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Gato e cachorro

Seja na cidade ou seja no mato,
Ela faz de mim gato e cachorro.
Quando alguém a fere, eu trato,

Quando ela padece, eu morro.
—-

Se no escuro da noite sou o seu gato,
ou sou o seu cachorro durante o dia,
na outra noite, se ela quiser eu lato,

no dia seguinte sou aquele que mia.
—-

Com as finas unhas ela me arranha,
Sua doce boca me beija e me morde.
Quando diz “sou tua!”, ela me ganha

E no seu oceano deixa que eu transborde.
—-

Pra deixá-la feliz, por ela eu mato,
Se morrer for preciso, por ela eu morro.
Por ela sempre “caio como um pato”:

Ela me faz de gato e de cachorro.
—-

Quando quer, ela me faz de suave osso,
Outras vezes me transforma em ratinho.
E me sussurra que sou o seu colosso,

Brinca comigo e me cobre de carinho.
—-

Se de leve me chama, o meu peito mia;
Se correndo me grita, uivando eu corro.
O coração bate com “animalesca” alegria

e cruzo rios, desço vales, subo morros…
—-
E quando, em uníssono — nós no leito —

ouço suavíssimo ronronar o seu peito
e o seu coração bramir me pedindo socorro,

viro bicho dois-em-um mais-que-perfeito:

sou metade gato e metade cachorro.

 

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