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Futebolistas da diáspora vão competir na ilha de Jersey

Os clubes Dragões de Jersey e Portuguese United vão participar em 2020/21 na Liga de futebol da ilha de Jersey, ambos com projetos virados para a comunidade emigrante e lusodescendente, que querem aproximar e dar visibilidade.

Numa ilha com 100 mil habitantes, uma de duas do Canal da Mancha sob dependência da coroa inglesa, estima-se que até 15 mil pessoas sejam portuguesas ou lusodescendentes, sobretudo do arquipélago da Madeira, mas também de outras regiões do país.

A ligação a Portugal, como em tantas outras comunidades, é feita através de eventos, da gastronomia e do futebol, e Jersey não foge a esta caracterização, com vários clubes, como o Portuguese FC a darem visibilidade à comunidade ao longo dos anos.

Terminado esse projeto, um novo surgiu das ‘cinzas’, o Portuguese United, que este ano decidiu entrar na ‘Football Combination’, o esquema de ligas da ilha, na terceira divisão nacional, ao lado dos Dragões de Jersey, uma filial do FC Porto que existe desde 2011 mas só agora chegou ao futebol de 11.

O United “começou com um coletivo de jogadores que já jogavam no Portuguese FC”, conta à Lusa Davide Pita, que aos 33 anos é o treinador da equipa principal masculina.

Além de participar no escalão masculino, o novo clube terá também uma equipa feminina e vai participar noutro tipo de torneios para “dar oportunidade de jogar regularmente” a quem não conseguir participar em treinos e jogos das equipas principais, numa medida intitulada “Portuguese United in the Community” (‘Portugueses Unidos na Comunidade”, em tradução livre).

“Queremos, de alguma forma, abrir os olhos a muita gente. Muitos não sabem quando são os eventos [orientados para a diáspora]. Queremos usar o futebol, de que toda a gente gosta, para aproximar a comunidade portuguesa”, explica Pita, que já nasceu na ilha, filho de pais madeirenses.

Além de aproximar a comunidade, também para os jogadores é uma oportunidade de se mostrarem em bom nível, com a maior parte dos atletas dos 25 anos para baixo, incluindo Fábio Pestana, internacional português pela seleção de futebol de rua, ou no caso das mulheres, que têm uma chance de chegarem à seleção de Jersey, que integra as competições CONIFA, para federações de futebol independentes.

Com o mesmo objetivo, e sem clubismo, o Dragões de Jersey está aberto “a todos” desde 2011, conta à Lusa Mário Carvalho, secretário de um clube galardoado, em 2014, com um Dragão de Ouro, reconhecimento do papel na ilha de Jersey por parte do FC Porto.

Com várias modalidades, do bilhar ao ‘five aside’, um tipo de futebol em que as paredes são usadas, ao futsal e ao atletismo, chegando agora a uma “aventura” no futebol de 11, pela mão de dois lusodescendentes, Steve Pires e Richard Nelson.

“A ideia, quando formalizámos o pedido junto de Alípio Jorge, presidente das delegações [do FC Porto], foi com o intuito de criar proximidade com a comunidade, sobretudo a segunda geração de portugueses que nasceu na ilha”, conta Mário à Lusa.

O “impacto positivo de integração” que pretendem trazer para a comunidade e para a ilha está estampado num dos lemas, “Comunidade, Integração, Respeito”, assim como o desígnio de “dar uma imagem diferente à comunidade portuguesa na ilha”, com equipas “que tivessem impacto positivo e direto na comunidade”.

Assim, de todas as verbas arrecadadas pelas várias modalidades, uma percentagem é entregue a instituições, seja o Jardim Zoológico de Jersey ou o Jersey Hospice Care, “uma instituição privada que oferece cuidados paliativos” e marca presença nas camisolas dos atletas.

Se primeiro as pessoas olhavam “com alguma desconfiança”, agora “acreditam” e até aproveitam alguma da “capacidade organizativa” que a equipa do Dragões trouxe às competições.

Com patrocinadores polacos, indianos, de Jersey ou portugueses, e simpatizantes e convivas de várias cores clubísticas, o FC Porto move muitos dos membros e da direção, tendo este ano tido a alegria do campeonato nacional conquistado pelos comandados de Sérgio Conceição.

“Estavam todos com o ‘síndrome azul e branco’. Estou a brincar, as pessoas estavam felizes. Confesso que em todos os anos que não ganhámos, fizemos festas. Quando o FC Porto ganhou, não fizemos. Distinguimo-nos pela diferença, o Porto não precisa de ganhar para nos dar inspiração. Fazemos o que fazemos porque acreditámos”, atirou Mário Carvalho.

O secretário do clube considera que as conquistas dos ‘dragões’ do Porto são “um aparte agradável” ao “projeto de integração e comunidade” que lhes dá missão e não uma necessidade.

“Temos filhos. Se a nossa filha entrar na universidade, ótimo, mas se não entrar, não vamos ao cartório riscar o nome. (…) O Emídio Gomes esteve cá em novembro, e ele mesmo disse que éramos diferentes das outras casas [do FC Porto] que tem acompanhado”, atira o português, natural de Baião.

Steve Pires, de 31 anos, é filho de pais madeirenses e vai treinar a equipa principal de futebol de 11, que quer “trabalhar para ganhar alguns troféus e subir de divisões”, até ao primeiro escalão.

No plantel, nem todos “são adeptos do ‘azul e branco'”, mas aos que são o título “dá mais força para o início da época”. Quanto ao estilo de jogo, “vai depender”, mesmo que não fuja “muito” às ideias de Sérgio Conceição.

Tanto Steve Pires, que trabalha com idosos, como o adjunto, Richard Nelson, outro descendente de madeirenses e a trabalhar no setor das finanças, sonham com voos mais altos e com, um dia, representar o FC Porto. “Era o sonho, mas para já representar uma equipa [associada] é fabuloso”, atirou Richard Nelson.

#portugalpositivo