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Foram reveladas as cores originais da estatuária antiga

Quem é entendido de restauração de obras sabe da existência de diversas técnicas por trás de grandes obras, assim como o quão difícil é reproduzir o mais fielmente possível as cores originais, materiais e outras incontáveis nuances que transparecem e deixam uma obra restaurada com a aparência que deveria ter: original.

Obras de arte e esculturas muito antigas (entenda-se com milhares de anos) perderam as suas cores originais e, mesmo após muitos estudos e várias horas, senão dias, de testes, é muito difícil chegar às cores exactas da primeira versão, Porém, acontece que quando tal se conseguiu, apercebemo-nos que não se tratam exactamente das cores sóbrias que imaginávamos. Aliás, era tudo um pouco berrante e algo kitsch!

Segundo o site Cliografia – http://www.cliografia.com, que se baseou nos de Harvard, de Tate, The Smithsonian e na Universidade do Colorado (EUA), entre outros, estudantes de arte descobriram padrões perdidos nas antigas estátuas gregas, de forma relativamente simples, usando a iluminação certa, no lugar certo. Essa técnica, denominada “raking light”, tem sido usada há anos na análise artística e consiste em posicionar uma lâmpada de forma cuidadosa, de modo que o caminho da luz seja quase paralelo à superfície do objecto, e que, quando usada em pinturas, torna claramente visíveis as pinceladas, assim como sujidade e imperfeições. Em estátuas, o efeito é levemente subtil, pois tintas diferentes envelhecem em diferentes velocidades. Padrões mais elaborados tornam-se, assim, visíveis.

A luz ultravioleta também é usada para distinguir padrões, o que faz com que muitos compostos orgânicos se tornem fluorescentes. Por isso, em estátuas da Grécia antiga, pequenos fragmentos de pigmento que ainda restam na superfície brilham, iluminando padrões mais detalhados. Ainda segundo o Cliografia, depois de ser feito o mapeamento, há a questão de como descobrir quais as cores a serem usadas na reconstituição. Por exemplo, uma série de azuis escuros irão criar um efeito bem diferente do que uma combinação de dourado e rosa. Mesmo se for deixada uma quantidade suficiente de pigmento para que a olho nu se perceba a cor, alguns milhares de anos de idade podem modificar consideravelmente o aspecto de uma estátua. Por conseguinte, não há como saber se a cor vista actualmente tem alguma coisa a ver com a tonalidade original. Mas existe uma solução: as cores podem desvanecer com o tempo, mas os materiais originais (como pigmentos derivados de animais e plantas, pedras partidas ou conchas) ainda possuem a mesma aparência. E isso também pode ser visto pela técnica das luzes.

O infravermelho ajuda a determinar os compostos orgânicos, já os Raios X só param quando encontram algo realmente pesado, como pedras ou minerais. Desta forma, os pesquisadores podem determinar de que cor uma estátua milenar foi pintada. O material obtido teve tal relevo que ganhou uma exposição intitulada “Gods in Color: Painted Sculpture of Classical Antiquity”. Vejam, então, algumas destas curiosas restaurações… e não se espantem!

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