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Festival Literário de Buckingham

O Festival Literário de Buckingham (Buckingham Literary Festival) decorreu no passado fim de semana na bonita e pitoresca vila de Buckingham, a norte do condado de Buckinghamshire e a pouco mais de uma hora do coração de Londres.

O festival teve a participação de vários escritores, poetas, comentadores, historiadores e pesquisadores, e os temas variaram entre política a poesia, história a temas atuais, comédia ao crime, e até humor. Enfim, um pouco de tudo para todos os gostos.

De entre os participantes contou-se com a presença de novos talentos da literatura britânica e de autores consagrados internacionalmente, alguns dos quais protagonistas de best-sellers traduzidos em várias línguas.

Na impossibilidade de nomear toda a gente porque a lista é extensa, destacamos aqui alguns nomes que lhe poderão ser familiares.

Louis de Berniers, provavelmente bem mais conhecido pelo seu best-seller internacional publicado em 1994, “Captain Corelli’s Mandolin”, (O Bandolim do Capitão Corelli) que foi posteriormente adaptado ao cinema.

Elif Shafak, ativista dos direitos das mulheres, direitos das minorias e da liberdade de expressão, tem nacionalidade Britânica, mas é de origem Turca. Publicou 17 livros, uns em turco outros em inglês, e foi traduzida em 49 línguas. A sua lista de prémios e distinções internacionais é extensa. Alguns dos seus romances, “O Escondido”, “Espelhos da cidade”, “A bastarda de Istambul”, e “As quarenta regras do amor”, foram sempre grandes sucessos de vendas.

Maggie Gee, em 1983 foi uma das seis mulheres, entre outras vinte, na lista do Granta best of young British novelists. Maggie publicou vários romances, entre os quais, “Virginia Wolf em Manhattan”, “A minha empregada”, e “A corrida de Escorpião”. Maggie Gee recebeu entre outros prémios o prestigiado “International Dublin Award”.

Terry Waite, é um humanitário e autor inglês que tem uma história incrível, mas que por motivos óbvios não nos é possível aqui pormenorizar muito. Foi assistente do Arcebispo de Canterbury nos anos 80, e uma espécie de emissário para a Igreja de Inglaterra, (Church of England), negociando vários reféns em diferentes partes do globo e quatro reféns no Líbano, incluindo o jornalista John McCarthy. Terry Waite viria a ser feito refém também, onde esteve em cativeiro por cerca de 4 anos. Depois de ser libertado escreveu um livro acerca das suas experiências em cativeiro e envolveu-se em trabalhos de humanismo e caridade. Ao longo dos anos tem publicado vários livros, “Viagens com um primata”, “A sabedoria dos Salmos” entre muitos outros.

Estes foram alguns dos nomes presentes no festival literário de Buckingham, além de Luke Jennings, autor e jornalista, ex. dançarino da Rambert Scholl, estudante de línguas Indianas e produtor televisivo, publicou vários livros entre os quais, “Codename Villanelle”, e “Killing Eve”. Ainda Fanny Blake, freelance jornalista e escritora, publicou entre outros livros, “With a friend like you” e “A Summer reunion”.

Felipe Fernandez-Armesto, historiador britânico com vários livros publicados, filho de um bem conhecido jornalista espanhol com o mesmo nome e mãe inglesa, Betty Millan de Fernandez Armesto, nasceu em Londres e tem passado uma grande parte da sua carreira a ensinar na universidade de Oxford.

Julie Summers, autora do livro Jambusters, uma história que inspirou o drama televisivo da estação ITV em 2015 e que teve grande sucesso, com o nome, Home Fires, e que se baseia no Instituto das mulheres depois da segunda guerra mundial. Julie Summers é também autora de “Quando a criança veio para casa” e “Estranho na casa”.

Outros nomes como Leslie Cavendish, além de ter ficado famoso por ter sido o cabeleireiro dos Beatles, também publicou alguns livros dedicados ao tema da profissão que exerceu durante muitos anos. Outros nomes como Kathy Slack, Harry Baker, Georgina Godwin e Euan Cameron etc. etc.

Fui convidado para este evento por um amigo que também ele fora convidado por um outro seu amigo, pessoa ligada à publicação de livros numa das maiores editoras de Londres.

Apresentei-me no evento como colunista do BOM DIA e colaborador do blogue, Tempo Caminhado.

Ao contrário do que é costume não me levantei muito cedo no domingo de manhã. Ao contrário do que também é costume, tive dificuldades em me levantar da cama. Na noite anterior, enquanto tentava chegar a termos com a minha regular insónia, companhia quase assídua em todas as noites, que por razões laborais passo longe da família, procurando técnicas e meios de a embalar, repentinamente surgiu-me uma ideia…” porque choram os recém-nascidos”. A ideia surgiu-me tão absurda e tão invulgar que não hesitei em saltar da cama desgrudando-me sem delongas da minha insónia, acendi a luz, e liguei novamente o portátil para registar em palavras escritas a ideia.

Entre registar os contornos principais da ideia para mais tarde ser concluída, desligar o portátil, voltar à cama e finalmente vencer a minha batalha com a minha insónia, por exaustão, pelo menos até à noite seguinte, passavam das quatro da madrugada. De maneiras que quando soou o alarme às nove da manhã lá tive que travar nova batalha, desta vez com o meu sono pesado, (farto-me de lutar comigo e contra mim mesmo)

Depois de um pequeno almoço que inclui sempre um café bem forte, meti-me ao caminho para Buckingham. Apesar de não ser cedo, não havia pressa uma vez que o mesmo só começava às 10,30 e eu estou apenas a cerca de 30 minutos da bonita, acolhedora e típica vila de Buckingham.

O sol veio cedo visitar a ilha. Quando o faz, descai sobre a paisagem verdejante como quem beija a terra, e o perfume que a vegetação propaga, apesar do calor que não é intenso, mas sim agradável, mantém uma atmosfera fresca, como um sopro de vida a quem ninguém fica indiferente.

Os caminhos da também pequena cidade onde me encontro até ao festival, são caminhos rurais, onde, já descrito, em dias de sol o brilho que contrasta com a vegetação que ladeia a estrada de um e de outro lado, os campos cobertos de verde, até onde a vista não pode mais alcançar, e aqui e ali uma ou outra casa, às vezes um pequeno aglomerada delas, fazem-me lembrar uma espécie de postal ilustrado.

O festival literário teve lugar em diferentes edifícios da universidade de Buckingham. Encontrei-me com o meu amigo, e o amigo dele, no Radcliffe Center onde havia uma palestra com Susannha Stapleton e a apresentação do seu livro, Maud West, London’s Detective, fruto de um extensa pesquisa, porque é essa uma das principais razões da escrita de Susannha nos últimos cerca de vinte anos.

Como disse, este livro é baseado em factos verídicos fruto da extensa pesquiza de Susannha Stapleton acerca de mulheres detetives particulares em Londres, centrando a história em Maud West que dirigiu uma agência de detetives privados em Londres a partir do ano de 1905 e durante 30 anos. O livro mistura ficção com factos reais e é praticamente impossível distinguir entre uns e outros. Além disso há factos bastante curiosos neste livro, baseados em realidade e que de certa maneira justificam a existência de tantos detetives particulares numa época de ouro do crime, muito embora, em casos de crimes mais sérios os detetives particulares tinham como é obvio certas limitações de poder, tendo que, a determinada altura das suas investigações entregar o caso à polícia, neste caso a Scotland yard que era quem tinha uma unidade bastante forte e especializada em casos mais sérios. Mas nessa altura, para se ganhar um divórcio por exemplo, havia que provar primeiro o adultério. Um dos motivos, mas não só, pela qual Maud West arranjou alguns dos seus trabalhos de detetive privada.

Foi o tipo de palestra que me agradou imenso uma vez que durante uma época da minha vida fui um apaixonada por este tipo de literatura policial, nomeadamente nas obras de Ágata Christie, Conan Doyle com Sherlock Holmes e Perry Mason.

Com um excelente painel de escritores poetas e historiadores, este festival, não teve em minha opinião, e em opinião de outras pessoas com quem falei e que também o visitaram, a aderência que os nomes fortes da literatura britânica mereciam. Os meios de divulgação e promoção do festival precisam ser revistos e melhorados.

De qualquer maneira valeu a pena, e para o ano há mais do que motivos para voltar.