Europa vai ter programa para reforçar meios de comunicação social
No discurso sobre o Estado da União, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou esta quarta-feira para as crescentes dificuldades enfrentadas pelos meios de comunicação tradicionais em várias regiões da Europa, em particular nas zonas rurais, onde os jornais locais são hoje uma “saudosa recordação”.
Segundo Von der Leyen, este fenómeno tem contribuído para o surgimento de “desertos noticiosos”, um terreno fértil para a disseminação de desinformação, situação que classificou como “extremamente perigosa para a democracia”. “É essencial que haja cidadãos informados que possam confiar no que leem e ouvem para responsabilizar quem está no poder”, sublinhou.
A presidente da Comissão recordou ainda que a supressão ou neutralização da imprensa independente é frequentemente o “primeiro passo do manual de um autocrata”, advertindo que tal fragiliza a capacidade de monitorizar a corrupção e de preservar os princípios democráticos.
Para fazer frente a este desafio, Von der Leyen anunciou o lançamento de um novo programa para a resiliência dos média, destinado a apoiar o jornalismo independente e a promover a literacia mediática. A proposta da Comissão prevê igualmente um aumento significativo do financiamento comunitário para os meios de comunicação no próximo orçamento europeu, bem como medidas para estimular o investimento privado no setor.
“Temos de envidar mais esforços para proteger os nossos meios de comunicação social e a imprensa independente”, reforçou a líder do executivo comunitário, acrescentando que a liberdade de imprensa “é o alicerce da democracia” e que a União Europeia continuará a apoiar o setor “para que se mantenha livre”.