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EUA: Universidade de Berkeley facilita intercâmbio a alunos portugueses

A professora Deolinda Adão considerou esta semana que o novo protocolo entre a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e a Universidade de Berkeley, Califórnia, vai permitir “aumentar o intercâmbio académico ao mais alto nível” entre Portugal e aquela instituição.

“O nosso objetivo é ser um ponto em que alunos e docentes em Portugal possam usufruir de uma universidade como a de Berkeley e que alunos e docentes de Berkeley tenham algum apoio para poderem interessar-se a estudar Portugal”, disse à Lusa a professora, que é diretora executiva do Programa de Estudos Portugueses nesta universidade californiana.

O novo protocolo tem várias vertentes, nomeadamente o reforço do Centro de Estudos Portugueses, uma bolsa conjunta com o Fundo Pinto-Fialon para financiar o doutoramento de alunos portugueses em Berkeley, apoio para um investigador visitante e a promoção da Study in Portugal Network (SiPN).

De acordo com Deolinda Adão, “parte fundamental do acordo é fomentar o intercâmbio de alunos da universidade de Berkeley com apoio financeiro do fundo Pinto-Fialon”. Este fundo foi criado quando o emigrante português Arthur Ferreira Pinto e a sua mulher Annette Fialon deixaram 7,5 milhões de dólares de herança à universidade para apoiar estudantes com um mínimo de 25% de origem portuguesa.

“Este fundo exclusivo para portugueses é realmente algo único nos Estados Unidos. Somos a única [universidade] que tem um fundo desta quantia com este número de candidatos a nível de universidades americanas”, afirmou Deolinda Adão.

Com o protocolo, a FLAD e o Centro de Estudos Portugueses vão apoiar o primeiro ano de doutoramento de dois estudantes portugueses que sejam aceites em Berkeley, em qualquer área científica, com bolsas de 20 mil dólares. A FLAD financia 10 mil dólares e o fundo Pinto-Fialon providencia outros 10 mil.

“O nosso objetivo é facilitar a mobilidade de alunos portugueses para fazerem doutoramentos nos Estados Unidos, particularmente em Berkeley”, disse a responsável.

O acordo contempla ainda uma bolsa da FLAD para um investigador visitante (junior visiting researcher), no valor de 10 mil dólares. A ideia é apoiar um doutorando numa universidade portuguesa que queira ir fazer investigação a Berkeley, por um período que pode ir de três meses a um ano.

Além destes apoios, o protocolo abrange um plano de iniciativas de promoção de Portugal e das comunidades portuguesas. “Temos o objetivo de desenvolver palestras, colóquios, conferências, parcerias com outras instituições, como o [Instituto] Camões”, afirmou Deolinda Adão, referindo o exemplo da cátedra Ana Hatherly e a organização de workshops de apoio aos docentes de língua portuguesa.

“O nosso objetivo é que o Centro de Estudos Portugueses na Universidade da Califórnia, Berkeley seja um centro de excelência em que todas estas sinergias e diversos apoios se possam concentrar”, acrescentou.

Outra vertente é a promoção da Study in Portugal Network, para fomentar maior interesse entre os alunos de Berkeley e “tudo o que tem que ver com o aumento do conhecimento sobre o Portugal de hoje, o que se faz na academia”.

O intuito é que Portugal seja visto “como país de inovação, onde há projetos muito interessantes, onde se estão a desenvolver áreas que podem ser de grande interesse para parcerias com equipas de estudo de Berkeley”, indicou, mencionando áreas como ciências do ambiente e energias renováveis.

“Estamos muito felizes com a assinatura deste protocolo e agradecidos à FLAD”, afirmou Deolinda Adão.

Ainda sem certezas sobre como vai decorrer o próximo ano letivo, dada a situação de pandemia de covid-19, a responsável disse que não haverá colóquios ao vivo ou receção de investigadores pelo menos até janeiro. “Tudo o que é laboratório deverá ser presencial e o resto à distância, mas ainda não está definido”.