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Estudantes portugueses vão faltar às aulas em nome do clima

Estudantes portugueses vão faltar às aulas a 15 de março, em várias cidades do país, no âmbito de uma greve global convocada pelo movimento estudantil internacional “SchoolStrike4Climate”, inspirado no trabalho de Greta Thunberg, pela justiça climática.

“O nosso objetivo é sensibilizar os estudantes, mostrar o que está errado, apresentar soluções e incentivar as pessoas a levar estas questões ao Governo, que tem um papel essencial nisto tudo”, disse à Lusa Bárbara Pereira, aluna no Colégio Internato dos Carvalho e representante do movimento no Porto, em conversa com a Lusa.

Sofia Silva, estudante na escola secundária Almeida Garrett, disse que se “no verão passado Marcelo Rebelo de Sousa tivesse ido nadar à ribeira da Sertã, altamente poluída, como em tempos fez no Tejo, se calhar já não havia plástico a circular nos rios em Portugal” e Rita Vasconcelos, outra aluna, completa dizendo que “o Presidente não tem poder direto sobre os atos legislativos que saem na Assembleia da República, mas deve pressionar para que se faça alguma coisa.”

Independentemente do sucesso desta primeira greve, Rita Vasconcelos, aluna da Faculdade de direito da Universidade de Coimbra, afirma que os estudantes “não vão parar de reclamar o direito por aquilo que é um planeta sadio”.

Estes alunos não conseguem prever quantas pessoas vão sair de casa para se manifestar em todo o país no dia 15, mas mostram-se otimistas.

Rita Vasconcelos conta que recebe diariamente e-mails de pais e professores que garantem levar os filhos ou turmas à manifestação, ou até pessoas que não são estudantes mas “querem apoiar a causa”.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética afirmou, em declarações à Lusa, que a greve estudantil “alinha absolutamente com o discurso e a prática deste governo.”

“Eu não vejo razão mais justa do que esta para uma mobilização estudantil. As alterações climáticas não são um problema da geração futura, mas desta geração. Sinto ser da maior relevância que os estudantes se mobilizem, se consciencializem, e que queiram criar um compromisso com eles e com a sociedade.” disse João Pedro Matos Fernandes.

O ministro garantiu o empenho do Governo “em dar um forte exemplo no combate às alterações climáticas” e afirmou que Portugal “é referência mundial nestas matérias”, mencionando “as energias renováveis”, a “proibição de plástico de uso descartável na administração pública e o plano nacional de energia e clima que é dos mais ambiciosos da Europa”, para além do Roteiro de neutralidade carbónica de Portugal até 2050.

De acordo com o governante, os portugueses “infelizmente aprenderam a seriedade das alterações climáticas de uma forma dramática, com os incêndios há dois anos, com a seca há um ano e meio e com aquilo que é o recuo da linha de costa”.

Devido a características geográficas, “Portugal está no hotspot das alterações climáticas” e “por isso tem um compromisso mais forte.”

João Pedro Matos Fernandes diz que “quem no dia 15 se vai manifestar são os próximos votantes em qualquer país do mundo” e por isso acredita “que esta mobilização estudantil pode ser a vitamina de que os governantes do mundo precisam para alinhar as suas políticas económicas e sociais com o Acordo de Paris”.

Também contactado pela Lusa, o presidente do Conselho nacional do ambiente e do Desenvolvimento sustentável, Filipe Duarte Santos, explica que entre as mudanças urgentes para o cumprimento do acordo está “uma transição energética” mundial que liberte as pessoas de “consumir tantos combustíveis fósseis”, para que “não se ultrapasse um aquecimento global de dois graus celsius”.

O incumprimento do acordo “não é uma boa notícia para as pessoas mais novas que estiverem no planeta a partir de 2050, 2070”, acrescentou.

Em Portugal estão confirmadas greves às 10h30, no dia 15, em mais de vinte cidades de norte a sul do Continente e nas ilhas, incluindo Lisboa, Coimbra, Faro e Porto.

Preveem-se mais de 700 protestos no mundo, em mais de 70 países.