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Este investigador quer saber o que sente quem vive emigrado

Carlos Barros é investigador no Centro de Investigação em Ciência Psicológica da Universidade de Lisboa. Este académico acaba de lançar um estudo no contexto do seu Doutoramento em Psicologia Social que pretende saber como é que as pessoas (emigrantes e família em Portugal) se sentem integradas e “conectadas”, como se vêem em família e como cidadãos.

Como começou a interessar-se pela problemática da distância e por que razão a ligou à emigração?

A distância é sentida de forma diferente de pessoa para pessoa e isso interessa-me muito. Por exemplo, 300 km entre dois pontos são a mesma distância tanto para mim como para qualquer outra pessoa, no entanto, o que muda é o modo como a pessoa vive, sente e constrói a sua realidade tendo em conta essa distância. Em cada quilómetro igual desta distância, para uns pode estar um belo passeio, para outros a saudade de uma pessoa que gostaria que estivesse ali, ao lado, a zero quilómetros.
A minha ligação à emigração começa num contexto até muito pessoal, que acabou por alimentar um posterior lado profissional. Cresci numa família onde a mobilidade entre países, logo a começar pela geração dos meus avós, era grande. Era muito frequente ter só em parte do ano a presença de familiares que vinham de vários pontos da Europa e ver que isso não os impedia de um sentimento de união familiar.
Já em adulto, senti na pele as dificuldades profissionais num contexto pós-crise e, embora não tenha chegado a emigrar, vi muitos dos meus amigos, colegas e familiares a partir para encontrar oportunidades mais dignificantes para o seu crescimento (sobretudo) profissional.
O que muda, nesta distância na atualidade, é que embora se mantenham os tais quilómetros iguais, há agora mudanças que nos levam a ter de estudar a emigração na sua nova interação com a família.

O que mudou?

Antes do advento das novas tecnologias e das chamadas sem roaming, havia um esforço gigante de logística para as famílias entre países se manterem em contacto e, apesar das dificuldades, era contagiante ver o amor que unia estas pessoas. Hoje em dia, com o contexto das novas tecnologias (skype, whatsapp) e dos voos de acesso mais fácil, é apaixonante ver como as famílias se reorganizam e se adaptam para estarem próximos mesmo na distância, acabando todos por participar na experiência da migração. Foi por isto que criei o Projeto Famílias pelo Mundo, onde me proponho a estudar estas experiências da emigração vividas por quem vai e por quem fica.

Em que contexto está a fazer este estudo?

Este estudo/projeto integra o meu Doutoramento em Psicologia Social, através de um programa inovador da Universidade de Lisboa em Migrações e é financiado pela Fundação pela Ciência e Tecnologia até 2020.
Numa fase inicial fiz entrevistas a vários emigrantes e familiares. Foi uma experiência muito enriquecedora, quer do ponto de vista profissional, quer no meu desenvolvimento pessoal. No entretanto, eu e a minha equipa de orientação, apercebemo-nos das potencialidades de acrescentar mais formas de recolha de dados, de modo a chegar junto de mais participantes, neste que é um curto espaço de tempo. A hipótese que mais ia de encontro a esta intenção foi a criação de um inquérito com questões que foram cuidadosamente elaboradas e adaptadas de autores de referência e vão de encontro aos temas mais importantes de se conhecer nestas realidades.

Que tipo de informação procura obter?

Pretendo saber como é que as pessoas (emigrantes e família em Portugal) se sentem integradas e “conectadas”, como se vêem em família e como cidadãos. No caso concreto dos emigrantes, também saber como se sentem nos países onde vivem. Por isso, gostaria mesmo de contar com a participação de todos neste inquérito. Cada participação demora um máximo de 10 minutos e é de extrema importância para que eu possa construir e devolver dados que de facto ajudem e informem realidades.

Mais informação no site) www.familiasmundo.com ou na página Facebook: https://www.facebook.com/familiasmundo/

Link para a página da participação no estudo: http://www.familiasmundo.com/PARTICIPE/

Para a participação de emigrantes: https://ulfp.qualtrics.com/jfe/form/SV_5oqjVNX8QRcVy7P

Para a participação de portugueses que têm familiares emigrados: https://ulfp.qualtrics.com/jfe/form/SV_cZv3mZG4NZM8GQB