O Festival de Cannes revelou o cartaz oficial da sua 79.ª edição, recuperando duas das figuras femininas mais icónicas da história do cinema: Thelma e Louise, protagonistas do filme “Thelma & Louise”, realizado por Ridley Scott.
Trinta e cinco anos após a estreia mundial da obra em Cannes, a 20 de maio de 1991, o festival presta assim homenagem a um filme que marcou profundamente a representação das mulheres no cinema. A imagem escolhida, uma fotografia a preto e branco captada durante as filmagens, mostra as duas personagens sentadas num descapotável, num cenário de estrada aberta que se tornou símbolo de liberdade, fuga e afirmação pessoal.
No cartaz, Louise encara diretamente o espectador, num gesto de desafio, enquanto Thelma observa o horizonte, sugerindo movimento e emancipação. A composição evoca o espírito do filme, que acompanha duas mulheres em rutura com as normas sociais e com um sistema que as oprime, numa viagem sem retorno pelo sul dos Estados Unidos.
Quando estreou, “Thelma & Louise” destacou-se por inverter os códigos tradicionais do road movie, um género até então dominado por protagonistas masculinos. Com argumento de Callie Khouri, distinguido com um Óscar, o filme tornou-se uma referência cultural, combinando uma narrativa de fuga com uma reflexão sobre liberdade, violência e autonomia feminina.
Interpretado por Geena Davis e Susan Sarandon, o filme conquistou rapidamente estatuto de culto, não obstante a controvérsia inicial nos Estados Unidos. A sua abordagem transgressora e o retrato de uma amizade feminina incondicional contribuíram para que se tornasse uma obra geracional, frequentemente comparada a clássicos como “Butch Cassidy and the Sundance Kid”, pela dinâmica entre protagonistas.
Ao escolher revisitar este imaginário, o Festival de Cannes sublinha a atualidade das temáticas abordadas no filme, desde a emancipação feminina à luta pela autodeterminação. A evocação de “Thelma & Louise” surge, assim, como um gesto simbólico que celebra o percurso feito nas últimas décadas, sem ignorar os desafios que persistem.