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Estão a bloquear a liberdade da internet

Mais de noventa sites piratas foram barrados em Portugal pela Inspeção-Geral das Actividades Culturais, o que na minha opinião, tudo não passa de uma simples censura, sem critérios bem definidos, nem tão pouco transparente.

No fundo tudo não passa de um faz de conta, porque todos sabemos que há inúmeras formas de ultrapassar esses bloqueios (bem simples até). Portanto, se o objectivo fosse simplesmente eliminar, reduzir e evitar a propagação da pirataria, então e porque não começar por eliminar simplesmente os sites que propagam esses conteúdos? Será que alguém até ao momento se deu ao trabalho de verificar onde é que esses conteúdos estão efectivamente alojados, e mover, quem sabe, um processo?

Não seria mais simples: apanhar os responsáveis que armazenam e colecionam esses ficheiros, em vez de bloquear o acesso aos sites? Até poderia não ser mais fácil, mas certamente seria mais eficaz, apesar de ser uma luta que nunca terá fim. Para além de mais fácil, julgo que a liberdade não estaria em causa, pelo menos de quem paga uma quantia mensal a uma operadora de telecomunicações, que inicialmente, lhe prometeu total liberdade de acesso.

Ainda assim, não deixa de ser um pouco estúpido, nós consumidores, continuarmos a ignorar estes avisos em formato de bloqueio, e permitirmos que se façam coisas sem nos indignar-nos. E não, não me refiro àqueles bate-bocas nas páginas de Facebook das operadoras de telecomunicações. Isso para mim não passa de simples lixo e que só polui a Internet. O assunto por enquanto tem sido encarado com bastante ligeireza. O que até pode ser preocupante no futuro, e não se trata de defender a pirataria ou seja o que for, mas sim em manter a dignidade e liberdade, coisa que a Internet sempre me ofereceu, desde que a conheço a operar no meu país, que se diz livre de democrático.

Hoje são os sites que oferecem pirataria que são bloqueados (que hoje são facilmente contornados), mas amanhã poderá ser o quê? Se o problema são os sites que oferecem conteúdos ilegais, mexam-se e fechem-nos, processem quem está por detrás, façam um trabalho de investigação e lutem, nessa guerra sem fim. Mas não privem as pessoas, não nos tratem como se estivéssemos a viver numa ditadura.

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