
Cara amiga,
Há muito que não utilizo este género literário, apesar de o género epistolar ser um dos mais bonitos e mais íntimos que existem para comunicar.
Hoje, lembrei -me de te escrever nesta forma, não que não tenha outros meios para o fazer, são tantos os lugares onde nos podemos encontrar, neste espaço sideral.
Utilizo a palavra, o sentimento, a emoção. Utilizo o que melhor nos caracteriza as mãos e a fragilidade da metáfora, das figuras de estilo.
A Sintaxe nem sempre é a melhor para quem quer dizer da alma, contudo, não é a perfeição nem o método que mais importa.
Escrevo-te, não para falar de mim, mas de ti. Escrevo-te para te falar da alma bonita que te habita. De te saber mulher não só lutadora, mas sobretudo envolta em projetos de cidadania e de elevação do outro.
Escrevo-te, não para te falar das palavras, mas para te dizer dos silêncios que partilhamos e dos espaços de ausências com que vamos costurando os nossos dias.
Escrevo-te, porque te sei sempre perto, mesmo quando entre nós tudo parece tão longe.
Escrevo-te,para te dizer da fragilidade a que estamos sempre sugeitos, quando a lonjura é o denominador comum dos nossos dias. Não é fácil conciliar quotidianos, ajustar sentimentos à álgebra do tempo.
Mas eu, que sempre aprendi a trazer no peito o silêncio da distância, digo Te que fazes parte do quotidiano que tento equilibrar.
A nossa amizade não é este caudal de água a tentar escapar por entre os dedos, é pelo contrário, o espaço etéreo onde se movem as coisas invisíveis.
Obrigada por seres.
Sempre tua.
