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Emigrar para ter ou emigrar para ser?

Emigrar é sempre uma tomada de decisão que implica coragem, e que traz consigo perdas e ganhos, dependendo, fortemente, da atitude e forma de interpretar as adversidades e o mundo em que vivemos.

Assim, o que será importante no momento de imigrar?

Num mundo cada vez mais globalizado, o trabalho existe onde precisam de nós, e não onde nós queremos. A visão do trabalho estável, sustentado numa visão de carreira faz parte da história, e aceitar esse facto é fundamental para que sejamos capazes de viver e nos adaptar nos dias de hoje.

O mundo actual contrata e procura as competências que oferecemos para resolver os problemas e desafios das necessidades existentes, em cada área de trabalho.

Vivemos, por isso, numa época em que por razões pessoais ou profissionais, as mudanças de país e câmbios interculturais são crescentes e serão a realidade no futuro. Desta forma, quanto mais nos prepararmos para o inesperado, menos ele acontece. A capacidade de antevisão e o investimento na aquisição de conhecimento e informação das funções e, acima de tudo, dos contextos e características culturais das pessoas do país para onde vamos emigrar, é uma âncora fundamental preditora de adaptação e sucesso.

A cultura e mentalidade de um país é própria da sua história. É por isso, depois do estado-maravilha inicial habitual das primeiras semanas ou meses, começamos a ver que, também esses países, têm problemas e defeitos, como o nosso. Dito de outra forma: todos os países têm virtudes e defeitos. É por isso que ler e aprender sobre a cultura para onde vamos, acaba por facilitar a integração, em vez de emigrarmos para viver no gueto ou numa comunidade fechada pouco ou nada integrada.

Investir e estudar a cultura do país para o qual vamos emigrar, é crucial para a adaptação, pois é a capacidade de começar a respirar o novo mundo que facilita a integração social (e não apenas económica). Recordo que o dinheiro não traz felicidade a ninguém, pois de nada serve se não conseguirmos ser alguém melhor, mais maduro, para saber o que fazer com ele. O dinheiro é apenas um recurso, enquanto que, o que somos, não se compra nem se vende. E aí é que está o nosso valor.

Todas as transições de vida são momentos de vulnerabilidade e largar a cultura onde crescemos, para conhecer e começar a viver dentro duma cultura totalmente diferente, é, sem dúvida, uma alteraçao marcante e significativa na nossa vida. Que a diferença nos acrescente valor e maturidade, em vez de nos tornar amargos, como muitas vezes, atendo na minha prática como Psicólogo/Psicoterapeuta ou quando faço Coaching por esse mundo fora.

Por isto, antes de começar o processo de emigração, devemos procurar informação sobre a cultura do país a imigrar, para ter uma noção realista do que vamos encontrar.

Quem emigra e se adapta não pode ser uma pessoa com mente fechada. Devemos ser abertos com a sociedade onde nos vamos integrar para, assim, conseguir compreender a maneira de pensar e de viver das pessoas que aí habitam, com o objetivo de se conseguir adaptar e funcionar na sociedade. A alternativa, será sentirmo-nos excluídos e acabar por voltar ao nosso país de origem, mais ressabiados e amargurados.

Um outro factor âncora que devemos considerar é a Língua. Estudar, aprender e saber comunicar com um vocabulário básico é essencial. E não há desculpas, pois até com o YouTube temos cursos gratuitos simples. Entender e sermos entendidos faz parte integrante de uma integração social. Recomendo acrescentar documentários sobre o país, ler livros da sua sua história, ouvir audiolivros, etc., tudo o que nos permitir ficar mais informado sobre a nova comunidade, colocar-nos-á mais próximos da realidade que vamos encontrar. Se quer respirar melhor no seu novo mundo, converse com os locais, inscreva-se em associações ou clubes locais, faça parte da comunidade. E, sempre que tiver momentos de dúvida ou insegurança, não tome decisões definitivas de regressar em fases temporárias sem reflexão. É nesta fase que respondem os profissionais como eu, para ajudar a superar as transições e a visualizar os processos e acçóes consistentes, com a devida persistência para chegar ao objetivo da integração comunitária e social.

Emigrar é saber adaptar para ser melhor quando regressar (se o fizer). Conhecer e viver outras culturas é melhor forma de ter novas experiências, criar novas memórias e desenvolver maturidade para relativizar a cultura que temos no nosso país de origem.

Ivandro Soares Monteiro
Psicólogo Clínico, Psicoterapeuta & Coach
www.ivandrosoaresmonteiro.com
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