
O rapto de uma portuguesa esta segunda-feira, junto a Maputo, é o décimo deste ano contra empresários e familiares de várias origens a abalar a “paz de espírito” de quem investe, disse o presidente da Associação Portuguesa de Moçambique.
“Na realidade, todos os empresários em Moçambique estão preocupados, portugueses e de todas as nacionalidades: isto afeta o nosso dia-a-dia, a nossa paz de espírito e faz olhar para o país com mais cuidado”, referiu à Lusa Alexandre Ascenção, ele próprio empresário.
“Temos de deixar as autoridades moçambicanas trabalhar, identificar as pessoas que fazem este tipo de raptos e, se possível, que aceitem a ajuda do Estado português”, numa alusão à disponibilidade de apoio à investigação demonstrada noutras ocasiões pelas autoridades portuguesas.
Tal auxílio, “ajudava muito a dar paz de espírito”, referiu.
“Estas coisas têm de ser investigadas a fundo: há culpados, têm de ser encontrados”, acrescentou.
Alexandre Ascenção receia que o momento de dificuldades económicas que se vive à escala global, com impactos severos em Moçambique, devido à pandemia de covid-19, aumente a probabilidade de pessoas perderem o “discernimento” e cometerem atos desesperados.
“A vida tem de continuar, não podemos estar a pensar viver com medo, mas temos de ter cada vez mais cuidado”, defendeu.
Sobre o rapto, refere que “ninguém faria prever que seriam pessoas alvo, significa que ninguém está livre de ser colocado nesta situação”.
A vítima, Jéssica Pequeno, 27 anos, é filha de um casal proprietário do restaurante Burako da Velha, onde trabalha, segundo as autoridades.
A portuguesa foi raptada por um grupo desconhecido entre as 07h00 e as 08h00 locais (entre as 05h00 e as 06h00 em Lisboa), na rua da sua residência na cidade da Matola, momentos após sair de casa, disse à Lusa a diretora provincial do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), Benjamina Chaves.