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Emigrante distinguida por fotografar efeitos da pandemia em Berlim

A fotógrafa freelancer Micaela Sousa, a viver em Berlim, recebeu uma bolsa no contexto do projeto “Pandemic Healing Arts Project” e mostra parte do seu trabalho, realizado durante a pandemia de covid-19 numa exposição.

“À semelhança de outras cidades alemãs, Berlim tomou medidas para evitar o contágio entre cidadãos, e isso implicou o encerramento de galerias, o cancelamento e/ou adiamento de trabalhos, e a consequente falta de fontes de rendimento para artistas, muitos dos quais freelancers. Nessa altura, surgiram apoios estatais e sistemas de ajuda mútua, com artistas que apoiavam outros artistas”, explicou Micaela Sousa (conhecida por Nomadic By Choice), em declarações à agência Lusa.

Um coletivo de artistas da Holzmarkt (mercado de madeira, que representa o maior projeto de desenvolvimento urbano sustentável da cidade) e da associação “We Did Nothing Wrong”, ambas com sede em Berlim, uniram-se para atribuir bolsas a artistas afetados pelas medidas de contenção como parte de uma iniciativa chamada “Pandemic Healing Arts Project“.

“Com recurso a fundos privados, ‘crowdfunding’ e o trabalho voluntário de uma pequena equipa, as bolsas foram uma forma de apoiar artistas, ajudando-os a continuar o seu trabalho e incentivar a criação. O processo de candidatura foi descomplicado. A candidatura foi feita ‘online’ e tive apenas de apresentar o portefólio e o conceito de projeto que ia desenvolver”, adiantou a artista portuguesa.

Micaela Sousa e os restantes selecionados tiveram quatro semanas para desenvolver projetos relacionados com a temática da pandemia.

“É muito emocionante para mim fazer parte deste leque de artistas. Acima de tudo, é bom sentir que a relevância da criação artística é, novamente, enfatizada em Berlim”, partilhou.

A “Pandemic Healing Arts” reúne os trabalhos de 44 artistas, das mais diversas áreas, numa exposição inaugurada no dia 13 de agosto e patente até 12 de setembro. Está ainda prevista uma exposição itinerante das obras em vários locais da cidade.

“O trabalho que desenvolvi é uma série fotográfica, de 12 imagens, intitulada ‘I Am Here – A pure act of witnessing’. Esta história visual é essencialmente focada na minha experiência pessoal e emocional, de me encontrar num momento de extrema dissonância”, apontou.

“Há um aspeto de espontaneidade neste projeto. Enfrentando uma ameaça invisível, mesmo quando nos envolvemos no distanciamento social, todos estamos de alguma forma conectados. Compartilhamos desrealização, medo, ansiedade, descrença, indignação pela inação e incerteza, mas também esperança, possibilidade nas nossas vidas e, acima de tudo, o puro ato de testemunhar. Esta é uma tentativa de expressar estados emocionais, de representar o invisível e, em última análise, enquadrar o portal de um novo mundo de escolhas”, sublinhou a fotógrafa portuguesa.

Micaela Sousa admite que, antes da pandemia de covid-19, estava há bastante tempo a trabalhar ininterruptamente em projetos comerciais, sem conseguir dedicar tempo a projetos pessoais. A covid-19 veio forçar uma pausa.

“Alguns rituais diários mantiveram-me com os pés assentes no chão nos últimos 6 meses. Tenho feito muitas e longas caminhadas (…) Usei então a minha linguagem primária – imagens – para ‘escrever’ notas visuais que documentaram a cidade e, de como a pandemia mudou as nossas rotinas, comportamento social e uso do espaço público. A oitava Arte tem esse aspeto de destacar visivelmente a perspetiva. Todos os dias era igual, mas todos os dias era diferente”, realçou.

A exposição “Widerkunst III. Mehr Zeit, mehr Mut, mehr Kunst” (“Resistência III. Mais tempo, mais coragem, mais arte”) foi criada em cooperação com a Genossenschaft für Urbane Kreativität, Tina Zimmermann, Widerkunst, Holzmarkt, We did nothing wrong e Humans for future.

#portugalpositivo