“Em 24 anos, multiplicámos por 21 vezes aquilo que o Luxemburgo compra a Portugal”
As relações comerciais entre Portugal e o Luxemburgo têm vindo a crescer de forma sustentada e expressiva nas últimas duas décadas. A conclusão foi apresentada por Alexandre Bray, membro da direção da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL), durante a sua intervenção na conferência PORTUGAL+ Grande Região, promovida pelo jornal BOM DIA, no passado dia 11 de outubro, no Luxemburgo.
O responsável pelo último keynote do evento, apresentou um retrato detalhado da evolução das trocas económicas entre os dois países, destacando que “em 24 anos, multiplicámos por 21 vezes aquilo que o Luxemburgo compra a Portugal”.
Segundo os dados partilhados, as exportações portuguesas para o Luxemburgo cresceram de 40 milhões de euros em 2000 para cerca de mil milhões de euros em 2024.
“Estamos num cenário bastante positivo, mas não podemos ficar parados”, sublinhou Alexandre Bray, que também é CEO e fundador da Imocomunidades.
A CCILL, criada em 2003, tem desempenhado um papel central neste percurso. A sua missão é “estimular o comércio bilateral e favorecer os contactos e parcerias de negócio entre as empresas”, explicou o orador. “Trabalhamos em rede de entreajuda. Não somos um grupo de pessoas, somos um grupo de empresas”, acrescentou.
Atualmente, a Grande Região é habitada por cerca de 500 mil portugueses, que, nas palavras de Bray, “são os primeiros embaixadores de Portugal” nesta área. A região contribui anualmente com entre 2,5% e 3% do PIB da União Europeia, dados que comprovam a sua importância.
Em 2024, o Luxemburgo importou de Portugal bens avaliados em cerca de 130 milhões de euros e exportou para Portugal aproximadamente 94 milhões de euros. No topo das exportações portuguesas estão os produtos alimentares (grande destaque para os vinhos), enquanto o Luxemburgo se destaca pelas exportações de produtos como tabaco, ferro e aço.


Alexandre Bray identificou três fases principais no desenvolvimento das relações económicas luso-luxemburguesas: 2000-2010, marcada pela descoberta e arranque das exportações, que quintuplicaram nesse período apontando como fatores determinantes o aumento demográfico da população portuguesa no Luxemburgo e o papel relevante da CCILL; 2011-2018, de crescimento acelerado (+211%), impulsionado pelo facto de o fluxo migratório ter atingido um valor máximo e devido à dinâmica das PME portuguesas (no período da Troika), além das ações da CCILL; 2020-2025, fase de consolidação positiva, com aumento de 53% em cinco anos, apesar do abrandamento migratório.

Entre as pistas de crescimento futuro, o orador apontou o apoio estruturado às PME (exportadores), a promoção turística direcionada e produtos premium dirigidos a residentes luxemburgueses, e o reforço das parcerias em inovação, investigação e tecnologia.
Para Alexandre Bray, o futuro passa por explorar parcerias universidade-empresa (R&D transfronteiriço), incubadoras conjuntas e programas de scale-up para startups portuguesas em setores financeiros, green tech e healthtech.
O keynote antecedeu o painel dedicado aos negócios em português.
Veja, em baixo, o vídeo com a intervenção completa do orador.