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Eleições na Alemanha: sem chanceler óbvio preparam-se coligações

A única coisa certeza na noite eleitoral alemão deste domingo é que o SPD, liderado por Olaf Scholz (na foto acima), é o vencedor das eleições legislativas. Por seu lado, a CDU, partido de Angela Merkel, tem o pior resultado desde a II Guerra Mundial.

À meia-noite em Berlim ainda não havia resultados finais, mas os dados preliminares da eleição para o Bundestag, o parlamento alemão, davam apenas 1% de vantagem aos social-democratas do SPD (centro-esquerda) sobre os conservadores da União CDU/CSU (centro-direita).

Outra surpresa é que os partidos extremistas não cresceram: a AfD, de extrema-direita, terá pouco mais de 10%, o que é uma queda dos 12,6% de 2017; e o Die Linke, da extrema-esquerda também desce: de 9,2% em 2017 para cerca de 5%.

Os Verdes, de Annalena Baerbock cumprem a surpresa: passam de 8,9% (2017) para 14%.

Olaf Scholz, líder social-democrata e atual ministro das Finanças, já reagiu: “Estamos à frente em todas as sondagens. É um sinal encorajador e um mandato claro para garantir que temos um governo bom e pragmático para a Alemanha”.

Mas Armin Laschet, o sucessor de Merkel na CDU, não atira a toalha: “A corrida é apertada. Faremos de tudo para formar um governo de liderança conservadora. Não se trata de obter a maioria aritmética, mas de reunir diferentes posições políticas para formar a coligação. Estou pronto”.

Coligação é agora a palavra-chave e todos os partidos reúnem hoje as suas direções para traçar planos no puzzle governativo, mas as negociações podem demorar. Recorde-se que em 2017 levaram cinco meses…

Num cenário em que o “centrão” deixa de mandar no Bundestag, o peso dos partidos pequenos aumenta muito. Com os Verdes à beira dos 14% (tiveram 8,9% em 2017), vão para as negociações de coligação com elevada autoestima e um alto poder reivindicativo. O partido de Annalena, que captou muitos votos jovens, corporiza os principais desafios do séc. XXI: crise climática, revolução digital e modernização dos serviços. “É o nosso melhor resultado da história”, disse Annalena.

Outro partido pequeno ganha peso: o liberal FDP, de Christian Lindner. A sua importância é esta: os eleitores alemães querem que o governo a atuar sobre as alterações climáticas, mas, alemães como são, querem saber quanto custa a mudança. É aí que o FDP emerge: o partido é grande desregulador e pode ser o fiel da balança que trava os desejos mais arrojados dos Verdes.

Estas são algumas das possíveis coligações, denominadas em função das combinações de cores e as suas semelhanças com bandeiras de países: