
Sabem uma coisa que me chateia mesmo? As chamadas: “cunhas”. Estou fartinho de ouvir falar em arranjinhos e ” tachos”, que o pai, mãe, primo ou até mesmo a vizinha, arranjou. Sabem o que me deixa mesmo indignado? É saber que numa lista de 50 candidatos, praticamente todos já possuem a “vantagem” de conhecer alguém, capaz de oferecer o lugar reservado na empresa X. Igualdade é uma cena que ainda não existe, e só os estúpidos ainda insistem nesta luta de David contra Golias.
Ter coragem e vontade de mudar é difícil em Portugal. O emprego para a vida normalmente já não existe, mas para quem tem o factor “c”, é ainda uma realidade. Os portugueses indignam-se contra quem está no poder porque geralmente quem lá está, ou arranjou ” cunha” ou arranjaram-lhe “tacho”, mas quando o simples “Zé Portuga” arranja possibilidade de contribuir para a desigualdade, lá está ele para receber a dita vantagem.
A base adora fugir à igualdade e está sempre atento a todas as formas de sair beneficiado. Quem não tem “cunha” não vai a lado nenhum, ou se for, é um sortudo danado de ter fugido ao núcleo gigante das “cunhas”. Podem ser excelentes funcionários, serem os candidatos perfeitos para o cargo, estarem super motivados e interessados na proposta, mas basta um mercado de trabalho cheio de “cunhas” para vos derrubar.
