Direção do United perde paciência e despede Amorim
Chegou esta segunda-feira ao fim a aventura de Ruben Amorim à frente dos destinos do Manchester United. O técnico terá perdido a confiança da direção após a polémica conferência de imprensa de domingo na sequência de empate, a uma bola, em casa do Leeds, num encontro a contar para a jornada 20 da Premier League.
Foi através de um curto mas esclarecedor comunicado, publicado esta manhã no site do clube e amplamente difundido nas redes sociais, que a estrutura do Manchester United deu a conhecer ao mundo o fim do vínculo com a equipa técnica do português de 40 anos.
“Ruben chegou ao clube em novembro de 2024 e levou a equipa à final da Liga Europa, em Bilbau, em maio do ano seguinte.
Com o Manchester United na sexta posição do campeonato, a direção chegou à conclusão de que havia chegado a hora da mudança. Desta forma, daremos ao plantel a melhor oportunidade de subir o máximo possível na tabela da Premier League.
O clube agradece a Ruben pela sua contribuição e deseja-lhe sucesso.
Darren Fletcher tomará as rédeas da equipa já na próxima quarta-feira, no encontro frente ao Burnley”.

Ruben Amorim, recorde-se, foi um treinador que sempre dividiu opiniões junto da massa adepta do emblema de Manchester, muito por conta do seu sistema tático assente em três centrais.
Na época de estreia em Inglaterra, o luso levou o clube à final da Liga Europa, tendo perdido o jogo de todas as decisões diante do Tottenham por 1-0.
A nível interno, ficou-se apenas pela 5.ª eliminatória da FA Cup ao ser derrotado pelo Fulham de Marco Silva nas grandes penalidades.
Na Qarabao Cup, o desempenho foi ligeiramente melhor, tendo os “red devils” atingido os quartos de final, eliminatória onde seriam afastados pelo Totteham.
Porém, o grande desastre viria mesmo a ser a Liga. Um 15.º lugar fruto de uma época com muitas mais derrotas (18) do que vitórias (11), às quais se somam ainda nove empates.
Ruben Amorim não pode, contudo, ser totalmente responsabilizado pelo ano crítico do Manchester United, uma vez que apenas chegou a 5 de novembro para disputar a 12.ª jornada do campeonato (um empate a uma bola no terreno do Ipswich). Até lá, os neerlandeses Erik ten Hag e Ruud van Nistelrooy (este último de forma interina) também tiveram uma palavra a dizer.
Em 2025/26, o ex-Casa Pia, Sporting de Braga e Sporting conduziu os diabos vermelhos em 21 encontros, um para a Carabao Cup (derrota por 12-11 nas grandes penalidades pelo Grimsby, da quarta divisão inglesa) e 20 para a Premier League (oito vitórias, o mesmo número de empates e uma mão cheia de derrotas).
A gota de água para a direção do Manchester United terá sido o empate de domingo, a uma bola, em Elland Road, reduto do Leeds, diante de 36.909 adeptos. Este resultado deixou o clube na sexta posição da tabela classificativa com 31 pontos.
Matematicamente falando podem ser feitas pelo menos duas leituras, já que o United tem os mesmos 31 pontos que o Chelsea (quinto classificado) e está a apenas três do quarto lugar, ocupado pelo Liverpool.
Por outro lado, Everton, Fulham e Brighton são, respetivamente, os 12.º, 11.º e 10.º colocados, todos eles com 28 pontos, ou seja, estão a apenas uma vitória dos red devils, que com nova derrota podem cair para a segunda metade da tabela.
O Newcastle é neste momento nono, com 29 pontos, e o Sunderland e o Brentford, oitavo e sétimo, acumulam 30 pontos cada, portanto, também entram nas contas como concorrência direta.
Mas nem só a falta de vitórias motivou esta decisão por parte da direção do Manchester United, a mesma que ainda recentemente disse confiar a 100% no português. A machadada final nesta relação terá sido dada este domingo, quando Amorim, “a quente”, deixou claro aos jornalistas, durante a conferência de imprensa pós-jogo, que estava descontente com o seu papel dentro da estrutura do clube: “Vim para ser manager do Manchester United, não apenas treinador”.

Com o futuro em aberto, Amorim passa desde esta segunda-feira a integrar uma longa lista de treinadores de elite no desempreso. Gareth Southgate, Enzo Maresca, Joachim Löw ou Xavi são alguns deles.