
Num diálogo pastoril, o jovem pastor
No mes de Maio na serra da Gralheira
Diz o pastor à sua jovem companheira.
Sou mosto e sou vinho, quero o teu carinho
Sou Sol e sou Lua, quero beijar
Essa boca que é só tua,
quero sentir teu calor no teu regaço de amor
E ser escravo do teu amor.
E no alto do São Macário saboreio a brisa
Já vesti outra camisa e não cheiro a bode
Sou um pastor sonhador, não me negues teu amor.
Lá longe nos currais vejo o lento movimento das cabras
Há o lento movimento das ancas das cabras
E grandes bodes com cornos de bronze.
Sou um pastor que esvoaça
E teu frágil corpo abraça nas noites de frio,
Sou teu rio e teu mar, sou teu idílico amor.
E aqui perto de nós, uma mãe cabra leva os cabritos à água
Em COVAS DO MONTE e COVAS DO RIO,
é dia de festa no curral das cabras.
Entre o amarelo da carqueja e das giestas
O dia é de festa no maciço da Gralheira.
Ainda há pastores e pastoras
Humildes mulheres, mas grandes senhoras.
Conduzem os rebanhos, em dias de calor,
ou com densa neblina na serra da Gralheira.
À noite ouve-se o canto dos pássaros
gregorianos e a noite cai lentamente
nos povoados serranos.
Os rebanhos regressam aos currais
onde os bodes trazem cheiros impossíveis
para dentro do curral.
Amanhã é um novo dia, numa paisagem bucólica.
