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Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: um homem adiado

Esta coisa de se ser deficiente, ou com defeito, de se tornar deficiente, é fodido.

Um homem ser completamente saudável, vender saúde, como se diz, e passar a ser deficiente, aquela pessoa estranha a quem todos discriminam, desvalorizam, reparam para o mal – para a ofender – por vários pontos de vista, mas escamoteiam-na, olvidam-na, zombam, inferem automaticamente que é coitada, e se quem infere isso, procura um pentelhozinho que seja para pensar que se superioriza é realmente fodido. É foda.

Qualquer pessoa que nasça, viveu toda a vida com diferença física, e ou mental, caramba… é mesmo quilhado. Mas habituam-se-lhes esses – sim – coitados que tudo aproveitam para cuidar de se sobressair, e está irremediavelmente estigmatizado. Não tem outra possibilidade, outra alternativa, tem o ferrete, o grilho, é estigmatizado em cada poro do seu corpo. Não da pele. Do seu corpo desde a ponta das unhas dos pés até à ponta dos cabelos da cabeça.

Agora quem foi igual, e aquando dessa igualdade a pessoa diferente se lhe ombreou – esse mesmo, é o primeiro a discriminar, a excluir – a marginalizar.

Fatal.

E se fosse com essa pessoa?

E quem antes não conhecia a pessoa?!!! Que sobranceria. Que prosápia! Oh cum caralho. Ninguém, nada se lhe chega.

É um caralho. Ter ombreado com a igualdade – por vezes uns furinhos mais acima – o que com este conceito não é difícil, ah!!! “Ah que encontrei com quem me salientar”.

E eu… eu… do lado de cá! Que tive essa altura – por vezes com feitio ensimesmado, e passar a ser notado, muito visível muito por mor de uma prótese ou consequências dessa condição com sudores, mais tremor, menor marcha e mobilidade, se dá tanto, tanto nas vistas e se tem conhecimento das características, porra! Eu sei que estou em falha, eu estou a falhar mas não me controlo, valha-me Deus.

Por mor de tudo isto – de toda a observância e inobservância, não posso escrever mais. E choro.

Também com estes olhos marejados não se pode (porque se não vê) dizer muito mais.

Já nem posso.

Já nem quero.

Um dia conto mais histórias. Mais cúmulos. Mais surrealismo.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)