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Deus salve Vossa Majestade!

Conta, o grande jornalista abrantino, Fernando Martins Velez, em “ Poeiras do Passado”, que frequentemente escutava, entre risadas, a saudação: “Deus salve Vossa Majestade!“

Andava o jornalista intrigado, porque não compreendia a razão das risadinhas brincalhonas, e a intenção de quem a proferia, a cada passo.

Ganhando coragem, abeirou-se de velho amigo, para inteirar-se da razão, dos risinhos abafados, quando alguém se lembrava de mencionar a “antiga” saudação.

Foi-lhe então revelado a historia – não sabe se verdadeira, – muito corrente, na época, na região onde nascera.

Certo dia o Rei andava à caça pelos montados do reino. Passou por ele humilde camponês, que o saudou com reverência, deste modo:

– “Deus salve Vossa Majestade!“

O Rei, agradeceu a cortesia, e cumprimentou, levantando, ligeiramente, o chapéu.

Aconteceu, que nos dias seguintes – por várias vezes, – encontraram-se; e sempre o lavrador o saudava do mesmo jeito.

Como Sua Majestade era muito afável e conversador, logo que teve oportunidade, parou, para cavaquear com o camponês.

Conversa vem; conversa vai, o Rei perguntou-lhe: Por que o saudava sempre de igual modo, quando perpassava por ele; ao que o aldeão, prontamente, respondeu:

– Saiba Vossa Majestade que já vivi muito, e conheci Seu avô, que também foi Rei, e tinha mau feitio!…

Depois, sucedeu-Lhe Seu Pai, que não Lhe ficava atrás…

Agora reina Vossa Majestade… e rogo a Deus, que não venha a ser ainda pior!

Remata, Fernando Martins Velez, no seu soberbo estilo de genial articulista:

Agora: “Nós diríamos: Deus salve o Senhor Presidente, porque…”

Esta perícope – não passa de brincadeira, – mas como o camponês, rogo também, a Deus, que não se aplique ao Brasil… ou até a Portugal… Não agora… mas no futuro.

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