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Deus barricou-se num manicómio

deus barricou-se num manicómio
e talvez de lá não saia mais
as bibliotecas todas do mundo
arderam num dilúvio
todas as nossas distâncias
são agora medidas em passos
na catedral que não existe mais
havia um vitral no qual
ao lado de vários profetas
a figura de um poeta olhando uma pomba
pena na mão folhas no chão chorava
chorava e apenas uma criança
parecia notar as suas lágrimas
no único continente que faltou descobrir
crescem figueiras que não morrem nunca
o firmamento tem agora outra latitude
longitude inexplicável
sem cordas a última viola
onde jazem os restos imortais do provir?
onde estás mãe onde estás?
nas minhas mãos a semente de um girassol
talvez haja ainda esperança

dm

 

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