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de seis em seis meses retorna o meu pai da guerra

de seis em seis meses retorna o meu pai da guerra.
não tem sangue na
vestimenta, camuflado ou
farda. só pó
grudado nas calças e
na sola das botas presa a terra.
o campo de batalha dá-lhe
semana e meia de férias. e ele, como
bom filho, à casa torna, mais corpo,
menos corpo, mais cabelo, menos
cabelo, mais idade, menos tempo, sem
medalha ou louro ou falha e,
por momentos, todos os aviões do ANA
aterram e
permanece o silêncio
do sorriso que retorna
aos braços dos filhos junto à rampa.
soldado soldado pelos anos, momentaneamente
novamente
vitorioso.

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