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Da resignação

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“Ter resignação; aceitar pacientemente 
o que se apresenta ou acontece.
 = CONFORMAR-SE, SUJEITAR-SE”
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]

Ouvi num programa de rádio uma reportagem sobre uma organização que distribui alimentos a pessoas em situação de carência ou sem abrigo. Depois de perceber a dimensão (imensa) desta ajuda, o jornalista entrevistou uma mãe, beneficiária desta iniciativa solidária.

Retive uma frase incómoda desta mulher: “a minha filha e eu já estamos habituadas a comer pouco”.

Pois é, em Portugal, no século XXI, continua a haver pessoas com fome ou com extrema dificuldade de acesso a bens tão essenciais como alimentação, habitação e saúde. A situação não é, infelizmente, novidade para ninguém. A pandemia agravou ainda mais a realidade de muitas pessoas e de muitas famílias. E, por este andar, o problema crescerá nos próximos meses (ou anos).

Acresce ainda um outro facto que foi abordado recentemente: há pessoas com emprego e que estão a viver na rua por não terem, sequer, dinheiro para alugar um quarto.

Mas voltando à frase: quanta resignação é possível ter para a conseguir pensar e verbalizar? Como é possível habituar-nos a esta tragédia? Como é possível que esta família não tenha direito a uma alimentação diária, digna e suficiente? Como é que não se encara de vez a introdução de um Rendimento Mínimo e Universal como uma opção solidária, justa e humana?

O Portugal que todos somos, o país que renasceu no 25 de Abril de 1974, não será um verdadeiro país enquanto existirem casos destes. 

Basta de palavras simpáticas. Temos de agir e de acabar com estas misérias. A resignação desta mulher é também uma vergonha nossa.

J. A. Nunes Carneiro

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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