Cuxhaven: Exposição sobre 60 anos dos portugueses na Alemanha continua viagem
Em 2024 festejou-se a assinatura do protocolo de angariação de mão de obra portuguesa para a Alemanha. O acordo assinado entre o governo português e alemão foi assinado a 17 de março de 1964.
Para comemorar essa efeméride dois investigadores, Anna-Katharina Glettenberg e Nélson Pereira Pinto avançaram com uma proposta ao GRI-DPA (Grupo de Reflexão e Intervenção – Diáspora Portuguesa Alemanha): apresentar o historial dos 60 anos da Comunidade Portuguesa na Alemanha.
O projeto foi apoiado pela DGACCP, pela Embaixada de Portugal, pelos cônsules Lidia Nabais e Leandro Amado assim como muitas associações, dirigentes associativos e autarquias alemãs têm com muito dinamismo dado a conhecer uma parte desconhecida da recente história alemã.
Sendo uma exposição itinerante, já esteve patente em muitas localidades do centro e sul da Alemanha. Depois de Ravensburgo, onde esteve exposta nas instalações da Universidade Popular (VHS), chegou à cidade de Cuxhaven (área consular de Hamburgo), uma das cidades do chamado “triângulo do mar” (Hamburgo-Bremen-Cuxhaven).

O GRI-DPA, em parceria com a autarquia, com o Centro Cultural Português e com o Círculo Cultural Luso-Alemão mostra atualmente a exposição no fórum da Câmara Municipal. “Visitá-la é descobrir o historial da comunidade portuguesa na Alemanha e pode ser considerada como o prenúncio de um projeto mais ambicioso e que já está a ser planeado”, revelou Alfredo Stoffel, do GRI-DPA
Stoffel revelou que se prepara uma iniciativa para a preservação da memória da Comunidade Portuguesa em Cuxhaven. “Os primeiros portugueses que para cá vieram eram pescadores; vinham da faina maior e eram exímios na salga do bacalhau”, explicou ao BOM DIA, recordando que assim se abriram as portas a pescadores de Mira, Ílhavo/Gafanhas, Vila do Conde, Ovar, etc.
“Depois vieram as familias, e passado mais de 60 anos continuamos por cá. Viemos como ‘trabalhadores temporários’ mas na verdade viemos para ficar”, diz Alfredo Stoffel que gosta de citar Max Frisch quando disse: “Procurámos trabalhadores e vieram pessoas! Os portugueses vieram para a Alemanha e vieram para ficar”.
À margem da exposição o Círculo Cultural Luso-Alemão e a Coordenadora do Ensino na Alemanha, em nome do Camões IP, entregaram à Biblioteca Municipal de Cuxhaven uma coleção de livros de autores portugueses.