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Covid no mundo: bolsa de Nova Iorque regista maior queda desde junho

A bolsa nova-iorquina fechou com a queda mais forte desde junho, minada pelo provável impacto sobre a economia da segunda vaga das infeções com o novo coronavirus e das novas medidas de confinamento anunciadas na Europa.

Os seus três índices mais emblemáticos encerraram o dia com desvalorizações superiores a três por cento, à semelhança aliás do ocorrido nas bolsas do Velho Continente.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o seletivo Dow Jones Industrial Average terminou com um recuo de 3,43%, para os 26.519,95 pontos, a sua queda mais forte desde junho e o seu nível mais baixo desde o início de agosto.

Mais fortes foram as quedas dos outros índices. O tecnológico Nasdaq caiu 3,73%, para as 11.004,86 unidades, patamar onde não estava desde há mais de um mês, e o alargado S&P500 baixou 3,53%, para os 3.271,03 pontos.

Perante a subida exponencial do número de infeções com o novo coronavirus o presidente francês, Emmanuel Mácron, anunciou hoje ao início da noite um reconfinamento parcial a partir de sexta-feira, com encerramento de bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais não essenciais, bem como o regresso ao teletrabalho generalizado.

Os índices em Wall Street, que já evoluíam em terreno negativo desde a abertura, aceleraram as suas perdas depois do anúncio de Macron.

Antes, a chanceler alemã, Angela Merkel, também tinha anunciado medidas drásticas, durante um mês, para procurar conter a propagação do coronavirus, acompanhadas por ajudas económicas no montante de 10 mil milhões de euros.

Por outro lado, em Itália as medidas de semi-confinamento, impopulares, provocaram manifestações na segunda-feira.

“Os investidores estão a despertar para a realidade”, comentou Karl Haeling, da LBBW.

Quando o mercado fechou em Wall Steet já se sabia das pesadas perdas de hoje sofridas pelos seus homólogos europeus, em particular em Paris (3,37%), Frankfurt (4,17%), Londres (2,55%) e Milão (4,06%).

O regresso das restrições sanitárias na Europa “coloca o risco de a mesma coisa poder acontecer nos EUA dentro de algumas semanas”, acrescentou este analista, salientando que “a chave vai ser a situação das hospitalizações”.

Nenhum setor foi poupado pela tendência de perdas, designadamente os do setor tecnológico, a refletir o facto de se estar a assistir “a uma grande liquidação no mercado, com os investidores a saírem”, mencionou ainda Karl Haeling.

A pandemia do novo coronavirus já provocou pelo menos 1.168.750 mortos no mundo e mais de 44 milhões foram infetados, segundo um balanço feito hoje pela AFP, a partir de fontes oficiais.

Nos EUA, os investidores confrontam-se com três principais ventos contrários”, resumiu Art Hogan, estratega de investimento na National Holdings: “O aumento do número de infeções, com uma média de 70 mil casos por semana, o que aconteceu pela primeira vez; (…) o facto de não haver estímulos orçamentais; e a incerteza da eleição presidencial”. Com efeito, está-se a menos de uma semana da eleição presidencial nos EUA, em 03 de novembro.

“As hospitalizações ligadas à covid-19 subiram pelo menos 10% em 32 Estados” na semana passada, sublinhou este analista.

Os principais títulos da tecnologia encerraram com desvalorizações relevantes, como Amazon (3,76%), Apple (4,63%) Facebook (5,51%) e Tesla (4,39%).

Os vários subíndices do S&P500, que agrupam as ações das empresas pelos setores em que operam, fecharam todos em baixa, desde o da saúde, que recuou 3,22%, aos bancos (2,47%), passando pela energia (4,22% e petróleo, onde a queda excedeu os cinco por cento.