Conheça as novas regras sobre o uso de carregadores externos nos aviões
A Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) implementou novas regras globais sobre carregadores externos (em inglês ‘power banks’) que entraram em vigor a 27 de março de 2026 e que obrigam passageiros e companhias aéreas a mudanças imediatas nos procedimentos de embarque.
A principal limitação estabelece que cada passageiro pode levar no máximo dois carregadores externos na cabine e que é proibido carregá‑los a bordo. Além disso, estas baterias portáteis não podem ser colocadas na bagagem de porão.
A medida resulta de uma onda crescente de incidentes com baterias de iões de lítio a bordo de aeronaves, que se intensificou em 2024 e 2025 e levou autoridades e operadores a procurar normas comuns.
Só nos Estados Unidos, a Federal Aviation Administration registou 38 incidentes até junho de 2025. Casos como o de um carregador que entrou em chamas no compartimento superior do voo Air China CA139 em outubro de 2025 e o incêndio a bordo do Air Busan BX391, atribuído a um carregador externo armazenado no compartimento superior, aceleraram a resposta regulatória internacional.
As novas regras da ICAO, aprovadas por todos os 36 Estados‑membros do seu Conselho e aplicadas aos 193 países membros, incluem também limites de capacidade: carregadores externos com menos de 100 Wh são permitidos sem autorização, unidades entre 100 Wh e 160 Wh exigem aprovação prévia da companhia aérea e baterias acima de 160 Wh são proibidas em voos de passageiros. A decisão parte do reconhecimento de que um carregador externo contém apenas bateria — sem gestão térmica ativa, sensores ou software de segurança — o que torna qualquer falha mais difícil de controlar e aumenta o risco quando muitos dispositivos embarcam numa mesma aeronave.
As companhias já iniciaram a implementação das novas regras. Transportadoras como Emirates, Qatar Airways, Singapore Airlines, Air India, Lufthansa, Cathay Pacific e British Airways alinharam‑se com as diretivas, embora algumas, nomeadamente o grupo Lufthansa, tivessem antecipado restrições semelhantes. A IATA estimou em 2025 que cerca de 44% dos passageiros viajam com um carregador externo, número que explica a dimensão do impacto das regras. A ICAO exige que as companhias informem claramente os passageiros desde a reserva, no check‑in e no embarque, e que as tripulações verifiquem que baterias de reserva se encontram sempre ao alcance, não em compartimentos inacessíveis.
Para quem depende destes carregadores em voos de longo curso, as recomendações práticas passam por sair de casa com dispositivos totalmente carregados e aproveitar as estações de carga dos aeroportos ou as tomadas e portas USB disponíveis nos aviões. As companhias mantêm ainda o direito de impor restrições adicionais, pelo que os viajantes devem confirmar as políticas específicas da transportadora antes de viajar.
Josh Wood, Safety and Service Manager em AirlineRatings.com, sublinha o propósito das novas regras: “Estas normas existem porque a alternativa é um incêndio a 35.000 pés sem uma forma fácil de o travar. A Airline Ratings saúda o movimento uniforme da indústria sobre carregadores externos. Os incêndios por baterias de lítio são um dos riscos de segurança que mais rapidamente aumentam na aviação comercial, e uma norma global coordenada já era necessária.”
A adoção internacional da norma marca o primeiro padrão global coordenado sobre limites de baterias portáteis em aviação e pretende reduzir o risco associado à multiplicidade de dispositivos com baterias de iões de lítio a bordo.