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Comunicação, para que te quero?

Irá concordar comigo que nem sempre a comunicação com outra pessoa decorre como gostaria. Quantas vezes, na sua relação amorosa, sentiu que estava a falar “chinês”? E quando as coisas parecem correr bem, para evitar problemas com o seu companheiro/a, decide que vai escolher o momento, as palavras, e o que vai dizer. Pensa, estrutura o seu pensamento, está atento ao que diz, mas na hora “H”, após falar e o outro responder….pronto, basta! Tudo se vai por água abaixo…. a mensagem chega tão distorcida à outra pessoa, como uma carta molhada e amassada de correio.

Se no início apenas o irritava um bocadinho, depois vem de dentro de si uma raiva com a força de um vulcão! E, por vezes, parece impossível de a controlar…a voz eleva-se, o coração acelera, a respiração fica mais curta, a sua face ruboriza, e está pronto a explodir, como o personagem Raiva, do filme de 2015, Inside Out, versão em português-Divertida-Mente. Então, surgem duas opções em sua mente: silenciar (prendendo a sua raiva, o que dá um ódio danado ), ou bater à porta, e sair ruminando palavras em alto e bom som. A boa notícia é que se a porta quebrar, o carpinteiro pelo menos ganha com isso.

Mas fica em si (e em todos nós) a pergunta: Porquê a comunicação gera tantos problemas? Se é algo tão básico na estrutura de interacção humana, o que acontece no processo de comunicação entre as pessoas, que diariamente gera mal-entendidos, desavenças, mágoas? Relações acabam devido a comunicação, mesmo que os parceiros falem gramaticalmente de forma correta. Trabalhadores despendem-se, desmotivados, por falhas de comunicação com o seu superior, ou colegas de equipa. Embora essa parte intrínseca, a comunicação, seja uma competência básica humana, parece que não foi totalmente conquistada pelo Homem, na sua convivência social.

No livro Metodologia Humanística: Os Sete Poderes que Todos Nós Possuímos, descrevo, através do modelo filtros de Comunicação, os processos inerentes à comunicação, sendo que a maior parte de nós, não estamos cônscios desses, e o quanto nos influenciam, minuto a minuto, na nossa interação com o outro. Um desses filtros é o das emoções. Nos exemplos e perguntas anteriores, o que filtra a resposta e a nossa reação ao outro são as emoções. Estas vão filtrar o que e como diz, e decide escutar, e o que e como o outro fala, e como ele decide escutar.

Partilho a seguir, quatro pontos essenciais, que constam no capítulo Poder da Comunicação do referido livro, para melhorar a sua forma de se expressar e de ouvir, e assim desenvolver uma comunicação construtiva com o seu próximo:

1 – Comunique na primeira pessoa. Expresse o que pensa, assumindo a responsabilidade da sua comunicação.

2 – Identifique a emoção que sente na situação. É importante identificar seus sentimentos. Suponha que começa a se sentir irritado durante uma conversa com alguém. Se detectar isso, pode entender a causa da sua irritação (e resolvê-la), e talvez evitar debates e discussões inglórios.

Um exemplo para os pontos 1 e 2 onde há responsabilidade pelo que sente e o que pensa, e expressa de forma assertiva – “sinto-me irritada porque, na minha a perspectiva, a minha opinião não está a ser respeitada” ao invés de “Tu irritas-me”;

3 – Expresse o que aconteceu como observador da situação. É importante distinguir a sua opinião de factos observáveis.

Exemplo: Quando eu falei sobre o problema que tivemos com o cliente, elevou a voz e a tonalidade alterou ao responder-me (observação). Aconteceu algo que queira expressar?

4 – Comunique as suas necessidades e expectativas. É importante ter em atenção o que precisa para se sentir bem, e como gostaria que o outro lhe ajudasse.

Exemplo: Gostaria que alterássemos o nosso encontro de amanhã às 9 horas, porque é importante para mim acordar mais tarde, pois dormi poucas horas ontem, devido a minha forte constipação.

Essas dicas funcionam quando está atento a si, a forma como comunica, e deseja desenvolver suas competências sociais. Voltando a questão inicial, para que te quero, comunicação? Viveria sem comunicar? Através da linguagem, a comunicação nos possibilita vivenciar o nosso mundo, assimilar o mundo do outro, a desconectar-nos do mundo quando falamos connosco mesmos, a estabelecer laços de relação com o outro, e no mais íntimo de nós, a conhecer as nossa fraquezas e as nossas fortalezas.

Karina M. Kimmig

Karina M. Kimmig é autora do livro “Metodologia Humanística: Os Sete Poderes que Todos Nós Possuímos”, General manager MORE Institute GmbH, Presidente de associações internacionais, cocriadora da MORE Humanistic Methodology, autora, blogger, e referência internacional em desenvolvimento humano. Mais: https://more-institute.com/

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.