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Como lidar com a morte de quem amamos

“Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte”

Sigmund Freud

Ao longo dos anos da minha carreira como terapeuta, os momentos de consulta em que sinto sempre um aperto no coração são aqueles em que um cliente me pergunta: “E agora como vivo sem ela…?”. É nesse momento da consulta que inspiro profundamente e trago do meu mais profundo ser as palavras de conforto com as quais tento inspirar o meu cliente a ver uma nova forma de viver, uma outra perspetiva.

Independentemente de ser um laço familiar, amoroso ou de amizade, é sempre difícil perder alguém que amámos profundamente e que estávamos habituados a ver, sentir, abraçar, ouvir… Nada pode substituir esta perda. É impossível deixar de sentir a dor, mas a forma como se lida com ela fará toda a diferença no caminho de quem vive com a perda.

É por isso que em todos os momentos da consulta em que é necessário falar da morte, falo precisamente sobre como lidar com a dor. Nunca, em momento algum, digo à pessoa para enfrentar a dor com força ou para ter coragem, pois nesses momentos não há força que nos valha, nem coragem que nos sustente em pé. O meu conselho é precisamente o oposto: chorem as vossas perdas com toda a força que os vossos pulmões vos permitirem, descomprimam a raiva, a revolta e a mágoa, libertem toda a emoção que precisarem de libertar.

Enterrar os sentimentos e seguir em frente “com coragem” apenas leva a corações tristes que nunca saram. As pessoas acabam por nem conseguir lembrar quem já não está com eles devido à mágoa que essas memórias trazem. O processo de lidar com a perda é extremamente íntimo e nunca deve ser descurado: no fundo estamos a reconstruir o nosso coração partido. Lidar com as emoções de uma forma saudável é imperativo para que, um dia, possam seguir o vosso caminho e levar convosco as boas memórias que essa pessoa vos deixou. Guardem na vossa memória um beijo, um gesto de carinho, uma palavra de conforto ou um sorriso intenso e irão aperceber-se como se sentem felizes cada vez que se lembram desse momento.

A forma como lidamos com a dor faz toda a diferença em nós e em quem nos rodeia. São vários os clientes que chegam ao meu consultório com mazelas psicológicas devido a nunca terem processado a perda de alguém que amavam. Nessas consultas temos então de voltar a abrir a ferida e sará-la totalmente. Nestes casos faço uso da hipnose terapêutica para guiar os clientes no processo e ajudá-los a reconstruir o seu coração. É intensamente gratificante ver o momento em que o sorriso volta à sua cara e a luz reaparece nos seus olhos. Abraço este momento como uma bênção pois sei que ajudei a trazer paz a quem ficou, e dessa maneira, trazer paz a quem partiu.

Cristina Gomes, Lado Violeta

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www.ladovioleta.com