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Colher flores no jardim público

Finalmente a espessa e pesada cortina cinzenta, rasgou-se; e o azul cristalino do céu, surgiu, iluminado pelo Sol quente e rosáceo. Tudo: árvores, ruas, jardins, tornaram-se, de repente ainda mais coloridos e mais alegres.

Finalmente chegou a Primavera! O tão desejado Verão chegou!…

E quem fica em casa, no quarto sombrio, a ler ou a ver televisão, com tempo tão bonito, e não vai passear pela cidade? Cidade cheia de encanto, como é a nosso Porto?

Após o almoço, desta aprazível tarde de Primavera, quase Verão, resolvi dar uma volta pela baixa.
Volta dos tristes, como se dizia no meu tempo de criança, ao circuito, que incluía Santa Catarina, Santo António Sá da Bandeira.

Em Santa Catarina deparei com um rio de gente! Rio plácido, onde, em lenta procissão, flutuavam, à tona, cabecinhas embaralhadas: que iam do negro-ébano, ao branco-prateado, da neve, passando por belos nuances de doirados.

Eram as cabeleiras dos transeuntes, que inundavam a rua.

A custo, rompi avalanches sucessivas de multidões. Multidões, portadoras de malões, maletas e sacolas.

Cansado de turistas de smartphone na mão, e olhos no mapa, prossegui para os lados da Trindade.
Foi ai, que vi, o que nunca pensei ver: jovem, dos seus vinte anos, acompanhada de senhora idosa, colhia, tranquilamente tulipas amarelas, que embelezavam o jardinzinho público!

O caso não é inédito. Não vai há muito, assisti, pasmado, a grupo de turistas, de nacionalidade desconhecida, a cortar flores nos canteiros que circundam as traseiras da Câmara Municipal.

Fico pasmado, porque sou do tempo em que não se podia calcar a relva, sem correr o risco de se pagar multa pesada.

Se, então, havia rigor exagerado (que servia para educar) agora há inaudito à-vontade.

Os jardins e as floreiras da cidade, são de todos. Todos podem usufruir a beleza, olhando; mas nunca colher flores! …

Além de atrevimento, representa falta de educação e ausência total de civismo.