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Cinema norte-americano pode apostar em Portugal

A Portugal Film Commission termina esta segunda-feira a missão de promoção de Portugal como destino de filmagens na 40ª edição do American Film Market (AFM), em Santa Mónica, Los Angeles, onde se reuniu com vários estúdios de cinema e televisão.

O objetivo da representação foi mostrar ao mercado norte-americano não só os incentivos monetários oferecidos pelo Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual, mas também “promover Portugal enquanto destino de filmagem no sentido lato”, disse à Lusa o comissário Manuel Claro.

A comitiva portuguesa, composta também pela diretora executiva Inês Queiroz e pela responsável de projeto Teresa Graça, reuniu-se com executivos da HBO, MGM, Warner Bros e Universal Studios, entre outros estúdios, e com produtores independentes interessados em filmar em Portugal.

“Houve, durante muito tempo, um desconhecimento total do país”, referiu Manuel Claro, sublinhando que Portugal não era proativo nas iniciativas de captação de filmagens e que, apesar de os grandes estúdios ainda estarem à espera que outros deem o salto “para ver como corre”, as coisas estão a mudar.

A Portugal Film Commission teve, além das reuniões com estúdios, uma presença direta na LocationExpo do AFM 2019, espaço dedicado às cidades ou países que pretendem atrair produções de televisão e cinema. “Até há um par de anos, Portugal não estava no radar de ninguém e neste momento começa a estar no radar de vários”, adiantou o comissário.

Os incentivos monetários de até 30% das despesas elegíveis feitas em Portugal, com parcelas adiantadas assim que o contrato é assinado, foram o principal atrativo apresentado pela comissão, mas não o único.

Em destaque estiveram várias características do território português, tais como a posição geográfica, a diversidade de paisagens e a acessibilidade. “Nós temos um conjunto muito interessante e variado de localizações a uma distância muito curta e de fácil acesso”, disse Manuel Claro, salientando as “boas vias de comunicação” do país, com seis aeroportos internacionais e voos diretos para a maioria das capitais europeias e, desde o verão, ligação direta entre Lisboa e Califórnia.

“Além disso, uma das grandes mais-valias é a qualidade das nossas equipas artísticas”, garantiu o comissário, ressalvando que pode não haver “um número gigante” de profissionais, mas tal é compensado pelo facto de as equipas serem “muito competentes e qualificadas” e “muito habituadas à coprodução internacional”.

Manuel Claro acrescentou ainda que “o facto de sermos o terceiro país mais seguro do mundo, segundo a Global Peace Index” é um ponto valorizado pelos estúdios.

Os custos associados também, embora o executivo tenha referido que Portugal não concorre ao nível de países como a Roménia, que fez uma operação de marketing forte no evento. “Não gosto da palavra barato, mas somos verdadeiramente competitivos e temos tarifas competitivas em termos de aluguer de equipamentos e equipas técnicas”, afirmou.

Segundo Manuel Claro, a Portugal Film Commission tem o objetivo de que “a indústria possa crescer de forma sustentada e que possamos todos estar melhor qualificados, ainda que para isso sejamos mais caros”.

O crescimento significativo do turismo em Portugal tem contribuído para dar visibilidade ao país como destino de filmagens, disse ainda o responsável, garantido que a comissão vai voltar a este e outros eventos em 2020. “É um caminho que tem de ser feito na base da perseverança, as coisas não nascem de um dia para o outro”, considerou. “Portugal não vai ter amanhã uma fila à porta do ICA”, disse, com produtores à espera para serem atendidos. “As coisas demoram e nós temos consciência disso”.