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Cientistas começam a perceber como o coronavírus passou para os humanos

Uma equipa de cientistas da Universidade de Cambridge e do Instituto Pirbright encontrou alterações genéticas significativas no novo coronavírus, o SARS-CoV-2, que podem ser responsáveis pela transição do vírus de morcegos para seres humanos.

Os investigadores descobriram que as adaptações genéticas eram semelhantes às que levaram à epidemia de SARS em 2002 e 2003. Os resultados do estudo foram publicados, em dezembro, na revista científica PLOS Biology.

“Este estudo usou uma plataforma não infecciosa e segura para investigar como é que as alterações do peplómero afetam a entrada do vírus nas células de diferentes animais selvagens, de gado e de estimação, algo que precisaremos de continuar a monitorizar de perto à medida que outras variantes de SARS-CoV-2 surgem no próximos meses”, explicou o coautor Stephen Graham, citado pelo portal ZAP.

A descoberta sugere a existência de um mecanismo comum pelo qual esta família de vírus sofre a mutação e acaba por passar de animais para humanos.

Os cientistas ainda não sabem a identidade do hospedeiro intermediário do novo coronavírus, apesar de o morcego ser um dos principais suspeitos. Isto porque há a sequência de um coronavírus de morcego chamado RaTG13, que é 96% semelhante ao SARS-CoV-2.

Como tal, os autores deste novo estudo compararam os dois vírus, trocaram partes do peplómero dos mesmos e analisaram o quanto é que essa proteína se ligaria ao recetor humano ACE2. Os investigadores acabaram por verificar que as proteínas do vírus RaTG13 com regiões do SARS-CoV-2 ligaram-se de forma mais eficiente ao ACE2.

“Como vimos com os surtos em quintas de martas dinamarquesas no ano passado, é essencial entender quais animais podem ser infetados pelo SARS-CoV-2 e como é que as mutações no peplómero viral mudam a sua capacidade de infetar diferentes espécies”, disse Graham num comunicado divulgado pela Universidade de Cambridge.