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China cede à pressão e acaba com política “zero casos”

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A China aboliu esta semana várias medidas de prevenção contra a covid-19, incluindo o isolamento em instalações designadas de todos os casos positivos, sinalizando o fim da estratégia ‘zero casos’, que é fonte de descontentamento popular.

O Conselho de Estado (Executivo) anunciou que quem testar positivo para o vírus pode, a partir de agora, cumprir isolamento em casa, em vez de ser enviado para instalações designadas, muitas vezes em condições degradantes.

O anúncio dita ainda que as escolas onde não foram registados surtos devem retornar ao ensino presencial. Outra medida prevê limitar a escala dos bloqueios a andares e edifícios, em vez de distritos e bairros inteiros.

Com exceção de hospitais, lares e escolas, deixa também de ser necessário apresentar o resultado negativo de teste PCR para aceder a locais públicos, uma exigência que vigorou nos últimos meses no país asiático.

A mudança de política surge após protestos recentes em várias cidades do país contra a política de ‘zero casos’ de covid-19, que gerou uma sucessão de tragédias e casos de alegado abuso de autoridade e impõe há quase três anos uma quarentena a quem chega do estrangeiro.

Os protestos foram suscitados por um incêndio mortal num prédio na cidade de Urumqi, no noroeste da China. Os manifestantes dizem que os bloqueios no bairro, no âmbito das medidas de prevenção epidémica, atrasaram o acesso do camião dos bombeiros. Os moradores também não conseguiram escapar do prédio, cuja porta estava bloqueada.

Quando um caso positivo era detetado num bairro ou edifício, os portões e portas de acesso eram frequentemente trancados, incluindo saídas de emergência. Frequentemente, os elevadores eram também desativados e chapas de alumínio colocadas em torno do prédio ou bairro, que passava a estar sob a vigilância de seguranças privados 24 horas por dia.

No comunicado, o Conselho de Estado proibiu de forma explícita a “obstrução de portas”.

As autoridades apelaram também a que se “acelere a vacinação dos idosos”, pedindo aos governos locais que aumentem a taxa de imunização entre os mais velhos, um dos grupos mais vulneráveis a morte ou doença grave, mas também o mais relutante em vacinar-se, no país asiático.

O descontentamento entre a população chinesa foi acumulando-se ao longo deste ano, à medida que a variante Ómicron, considerada altamente contagiosa, lançou o país num ciclo de bloqueios sem fim à vista.

Esta semana, a Liga da Juventude Comunista Chinesa admitiu que a retirada de algumas medidas é uma resposta aos protestos nacionais, na primeira admissão de que Pequim está a ceder às exigências dos manifestantes.

“Nos últimos dias, surgiram opiniões divergentes sobre a estratégia local de prevenção epidémica”, escreveu a Liga, na sua conta oficial na rede social WeChat, acrescentando que as rápidas mudanças na política mostram um nível de capacidade de resposta que seria “impossível” em qualquer outro lugar do mundo.

Num encontro com o presidente do Conselho Europeu Charles Michel, na semana passada, o presidente chinês, Xi terá admitido que os protestos refletiam a frustração com as medidas de prevenção contra a covid-19.

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