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Castanhas transmontanas voltaram a animar Paris

A 9ª edição da Festa da Castanha, em Paris, reuniu centenas de portugueses e franceses à volta de uma tonelada de castanhas vindas diretamente de Trás os Montes, numa tradição portuguesa onde não faltaram fado, ranchos folclóricos e bombos.

A Festa da Castanha é promovida pela associação de jovens luso-descendentes Cap Magellan e acontece anualmente junto à Câmara Municipal do 14º bairro, num espaço ao ar livre cedido pelas autoridades francesas.

“Estamos sediados aqui com a nossa organização e mantemos uma boa relação com as autoridades do 14º bairro. É um evento onde se reúnem bastantes portugueses, mas cada vez mais franceses também”, explicou à Anna Martins, presidente da Cap Magellan.

Por seu lado, o vereador e Conselheiro Municipal de Paris, Hermano Sanches Ruivo, disse que “o São Martinho é a festa portuguesa mais festejada em França”.

“Quando os portugueses emigraram para aqui e perceberam que o dia 11 de novembro era feriado devido ao Armistício da Primeira Guerra Mundial, tornou-se possível transpor a festa para Paris com algumas castanhas e vinho”, acrescentou.

Hoje em dia “há muitos franceses que perguntam a Carine Petit [presidente da Câmara do 14º bairro] quando é a festa da castanha. Já é uma tradição aqui”, assegurou Sanches Ruivo.

Esta tradição é confirmada por Julie, uma francesa que foi convidada por amigas para vir espreitar a festa e provar castanhas: “Eu vim com duas amigas, porque elas me explicaram que esta festa acontecia todos os anos. O ano passado fui a Portugal e apaixonei-me. Estou a gostar do convívio e é bom haver estas festas”.

A iniciativa contou com o apoio da Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes que envia gratuitamente uma tonelada de castanhas.

“Muitas vezes nota-se que há uns franceses um pouco perdidos e nós temos muito gosto em explicar o São Martinho, explicar a lenda e falar sobre os valores da solidariedade e da partilha. Já para não falar que os franceses adoram castanha… E jeropiga!”, acrescentou Anna Martins.

Além das castanhas, assadas por 20 voluntários, e das bebidas tradicionalmente portuguesas, a festa contou com a presença da Academia de Fado, de Vincennes, com as associações de folclore Coração em Portugal, de Cormeilles-en-Parisis, e Casa de Portugal Plaisir e com o grupo de bombos ACFP Estrela Do Norte, de Mitry-Mory.

Esta é uma oportunidade também para a região de Trás os Montes estreitar os laços com o destino de emigração mais importante da região, mas também procurar novas oportunidades económicas.

“É uma forma de estarmos mais próximos dos portugueses e de estarmos a promover um produto português junto dos franceses. Queremos agora alargar a cooperação” económica, disse à Lusa Artur Nunes, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro e presidente da Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes, que esteve a acompanhar a festa.

O reforço da cooperação está já prometido para o próximo ano com a possível vinda dos Pauliteiros de Miranda à Festa da Castanha.

“É uma festa à volta da castanha, mas queremos que seja mais. Para o ano, em cooperação com o presidente da Câmara de Miranda do Douro, queremos trazer os Pauliteiros de Miranda e promover o artesanato local, assim como fazer provas de mais produtos regionais. A ideia é crescer de ano para ano”, afirmou Hermano Sanches Ruivo.