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Cabo Verde pela lente de dois portugueses fascinados pelas paisagens

O “senhor” vulcão da ilha do Fogo fotografado por drone, as paisagens paradisíacas da desabitada ilha de Santa Luzia e os rostos cabo-verdianos são algumas das imagens que marcam o livro “Cabo Verde – 10 Grãozinho Di Terra”.

O livro, que é hoje lançado na cidade da Praia, na ilha de Santiago, é da autoria de David Santos (editor) e Nuno Augusto (fotógrafo), dois portugueses que há dez anos começaram a publicar sobre Cabo Verde, onde regressaram uma década depois para um novo registo.

Um trabalho que durou nove meses, dos quais oito semanas passadas em território cabo-verdiano, onde foram tiradas mais de 8.000 fotografias, sendo cerca de 300 aproveitadas nesta edição de 192 páginas, publicada pela Flying Book House.

Em entrevista à agência Lusa, o editor David Santos assumiu “uma certa afinidade” com o arquipélago, um gosto que se foi “acimentando” ao longo do tempo em que nele trabalhou.

Sobre as diferenças identificadas dez anos depois, David Santos refere que “houve muita evolução, não só a nível urbanístico, mas uma série de situações, de ilha para ilha”.

“Ainda ontem estava a pensar como era a ilha do Sal há dez anos. A rua dos hotéis nem sequer era asfaltada. Há toda esta evolução”, disse.

A ruralidade manteve-se, mas com “uma melhoria na parte urbanística, melhores condições, mais organização”.

Em algumas ilhas encontrou pessoas com as quais falou há dez anos, aquando da realização do primeiro livro sobre o país, “Cabo Verde – Um Mundo a Descobrir”.

No livro estão fotografias de pelo menos três destas pessoas reencontradas, moradores em Chã das Caldeiras, na ilha do Fogo.

O autor não hesita em eleger “as pessoas” como o que mais gosta em Cabo Verde, destacando igualmente a música e as ‘bafas’ (petiscos).

Nuno Augusto recorreu a vários instrumentos fotográficos para captar as imagens que constam do livro, o qual classifica de “um grande desafio”.

Com recurso a um drone, fotografou o ponto mais alto de Cabo Verde, o pico da ilha do Fogo, registando várias imagens do “senhor vulcão”, como é apelidado pela população local.

A sua dimensão é tamanha, que foram necessárias várias imagens de vários prismas para reunir, numa só fotografia, o pico do vulcão, referiu.

Mas esta aventura contou com “a cereja no topo do bolo”: o registo da desabitada ilha de Santa Luzia.

“Santa Luzia era uma pedra no sapato. Já tínhamos tentado ir lá várias vezes. Mesmo esta viagem que tivemos não foi isenta de dificuldades só para entrar no barco e ir lá. O mar estava calmo, com ondas ‘só’ com três metros de altura”, contou à Lusa.

Lá encontraram “uma ilha praticamente virgem. Não há praticamente nada. Há altares construídos por pescadores, que ali se refugiam em caso de tempestade ou para pernoitar, durante a pesca”.

O fotógrafo não tem dúvidas: “Todas as pessoas deveriam tentar ir lá, pelo menos uma vez”.

Apesar desta beleza paisagística, em Cabo Verde, Nuno Augusto gosta mesmo é de fotografar as pessoas que “são muito genuínas e disponíveis e simpatiquíssimas”.

Neste livro, que é vendido em Portugal e em Cabo Verde, foi possível “juntar as pessoas, a parte urbana, arquitetónica, as paisagens, mostrar a variedade de ilha para ilha – o rosto em São Vicente é diferente na ilha do Fogo ou na cidade da Praia”.

São as pessoas que também Nuno Augusto elege como o melhor de Cabo Verde.

“As pessoas acabam por fazer sentir-me em casa aqui, em Cabo Verde”, disse.