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Brexit põe em causa a economia escocesa

O governo autónomo da Escócia pediu esta quarta-feira ao executivo britânico que peça um prolongamento do período de transição do Brexit, que termina a 31 de dezembro, para evitar uma queda de 1,1% do PIB escocês.

Michael Russell, ministro das Relações Constitucionais escocês, apresentou esta quarta-feira um relatório segundo o qual a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) pode provocar uma queda de 0,7% a 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) da Escócia em 2022, o que se traduziria em perdas de 1,1 mil milhões a 1,8 mil milhões de euros.

“O documento que hoje publicamos sugere que, sem uma extensão, mesmo que se alcance um acordo comercial básico com a UE em dezembro, haverá uma perda acumulada em apenas dois anos de quase 2 mil milhões de libras [mais de 2 mil milhões de euros], chegando quase aos 3 mil milhões se não houver acordo”, disse o ministro no parlamento escocês.

O relatório prevê que agricultura, pescas e manufatura sejam os setores mais afetados caso não haja um prolongamento do período transitório ou o Reino Unido saia da UE sem um acordo, caso em que as relações entre o país e a União serão reguladas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Dado o enorme impacto económico causado pela crise do coronavírus, seria uma extraordinária imprudência o governo do Reino Unido recusar pedir uma extensão”, considerou o ministro, frisando que os efeitos da pandemia associada à Covid-19 afetaram os preparativos que as empresas tinham em curso para a saída da UE.

O apelo escocês é feito no mesmo dia em que o parlamento semiautónomo da Irlanda do Norte aprovou uma moção para exigir ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que peça um prolongamento do período de transição, para que a província britânica possa enfrentar o “divórcio” sem a pressão da crise sanitária.

O governo de Londres realiza atualmente a quarta ronda de negociações com a UE para negociar um acordo comercial, antes de uma avaliação prevista para o final de junho, mas ambas as partes admitem que houve muito poucos progressos.

Persistem desacordos em matéria laboral, ambiental, de segurança e, sobretudo, o acesso da frota pesqueira comunitária às águas do Reino Unido.

Boris Johnson tem recusado pedir uma extensão do período de transição, o que teria de ser feito até 1 de julho, por considerar que um prolongamento provocaria mais incerteza.