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Brasil: pandemia deixa os ricos ainda mais ricos

As fortunas de 42 milionários brasileiros aumentaram em 34 mil milhões de dólares (cerca de 29 mil milhões de euros) de março até julho, ou seja, enquanto a covid-19 alastrou no Brasil, segundo um relatório divulgado pela Oxfam.

De acordo com o documento, os ativos líquidos dos 42 milionários do Brasil aumentaram de 123 mil milhões de dólares (104,8 mil milhões de euros) para 157,1 mil milhões de dólares (133,8 mil milhões de euros) ente março e o início de julho, no período em que a pandemia se propagou no país.

Neste momento, o Brasil é o segundo país mais afetado pela pandemia no mundo, apenas atrás dos Estados Unidos, com mais de 87.000 mortos e 2,4 milhões de infetados.

Tal como é um exemplo da multiplicação de fortunas, o Brasil é também o país onde a miséria e o desemprego irão aumentar mais, em parte devido aos seus 210 milhões de habitantes, mas também devido à sua grande desigualdade social, refere-se no documento.

O relatório cita que, antes da pandemia, o Brasil tinha cerca de 12 milhões de desempregados e 40 milhões de trabalhadores informais “sem qualquer proteção social”.

De acordo com vários estudos, a taxa de desemprego pode aumentar até quatro vezes até ao final do ano, entre outras razões, porque 600.000 empresas já fecharam definitivamente no Brasil devido à pandemia.

“Estes são dados assustadores. Vemos um pequeno grupo de milionários ganhar como nunca antes, numa das regiões mais desiguais do mundo”, e também como “no Brasil e noutros países da América Latina e Caraíbas milhões de pessoas estão a lutar para manter a cabeça acima da água”, disse a diretora da Oxfam Brasil, Katia Maia, numa nota.

Segundo o documento da rede internacional da Oxfam, divulgado esta semana, a pandemia do novo coronavírus irá aumentar o número de pobres e desempregados em toda a América Latina, mas está também a permitir o crescimento das maiores fortunas da região.

De acordo com o documento, pelo menos 73 dos bilionários na América Latina e Caraíbas aumentaram as suas fortunas num total de 48,2 mil milhões de dólares (cerca de 41 mil milhões de euros) entre março e junho, período em que a covid-19 atingiu o pico naquela região.

Esta soma, segundo a Oxfam, “é o equivalente a um terço do total dos recursos disponibilizados pelos pacotes de estímulo económico adotados por todos os países da região” para ajudar os mais pobres, os desempregados e os trabalhadores informais durante a pandemia.

O relatório conclui claramente que “os bilionários nesta parte do mundo permanecem imunes à crise económica” causada pela pandemia, numa das regiões mais desiguais do mundo.

A Oxfam explicou que para medir a evolução das grandes fortunas baseou-se nos dados que, em tempo real, a revista Forbes, especializada em finanças, tem publicado desde 1917 nos Estados Unidos e que desde 1987 divulga a conhecida lista de bilionários do mundo.

“A covid-19 não é a mesma coisa para todos. Enquanto a maioria da população corre o risco de contaminação para não perder os seus empregos ou comprar alimentos, os bilionários não têm de se preocupar”, disse Katia Maia, na nota.

Os dados do relatório, acrescentou, mostram que os mais ricos “estão noutro mundo, o dos privilégios e fortunas que estão a crescer no meio daquela que é talvez a maior crise económica, social e de saúde do planeta do último século”.

O documento mostra que até houve oito novos milionários que surgiram na América Latina e nas Caraíbas desde março passado.

A outra face da moeda são os 52 milhões de pessoas que várias organizações estimam que regressem à pobreza na região, juntamente com outros 40 milhões que se irão juntar às fileiras dos desempregados.

“Quem Paga a conta?” é a pergunta que dá o título ao relatório da Oxfam e tem uma resposta no próprio documento, no sentido de que as pessoas mais ricas são as que mais devem contribuir para tentar minimizar o desastre que se avizinha.

Segundo estimativas feitas pela Oxfam com base em dados oficiais, a queda das receitas fiscais nos países da América Latina e das Caraíbas em 2020 será equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa uma perda de 113 mil milhões de dólares e representa 59% de todo o investimento público regional na saúde.