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Bloco vai às europeias “pelo estado social, trabalho e ambiente”

O estado social, o ambiente e o trabalho serão as prioridades do programa do Bloco de Esquerda para as eleições europeias de 26 de maio, aprovado sábado pela Mesa Nacional do partido.

Apontando que a União Europeia atravessa uma crise “sem precedentes”, a cabeça de lista e atual eurodeputada bloquista, Maria Matias, que também é colunista do BOM DIA, sustentou que “atualmente é impensável não verificar as novas dimensões que foram atingidas por essa crise”.

“E elas têm obviamente consequência e causa ao mesmo tempo em processos como a ascensão da extrema-direita, que infelizmente foi ganhando espaço dentro da própria política mesmo antes de as forças da extrema-direita terem chegado ao poder”, vincou.

Entre os problemas que a Europa enfrenta, encontram-se ainda, na opinião da candidata, a crise humanitária dos últimos anos, “à qual a União Europeia não soube dar resposta”, ou a saída do Reino Unido (‘Brexit’), processo “que já se arrasta há dois anos, e que também não se vê um desfecho clarificador ainda neste momento”.

Num “contexto de uma União Europeia sem rumo, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aprovou como propostas e prioridades para as próximas eleições europeias, uma abordagem assente em três pilares fundamentais – o estado social, o trabalho e o ambiente”, anunciou Marisa Matias, que falava aos jornalistas no final da reunião, em Lisboa.

“Entendemos que estes são os três eixos de maior cruzamento da política europeia com a política nacional, que nos afetam quotidianamente, e em relação aos quais temos que dar respostas robustas e claras e temos que fazer propostas no sentido da defesa de cada um destes pilares”, assinalou.

Em relação ao primeiro pilar, Marisa Matias lembrou que o Bloco “sempre se opôs ao pacto de estabilidade e crescimento e ao tratado orçamental”, apontando que existe uma “tentativa de destruição do estado social”.

“Necessitamos de nos ver livres, quer do pacto de estabilidade e crescimento, quer do tratado orçamental de forma, desde logo a isentar o investimento dessas limitações e dessas regras que não fazem sentido, mas também como uma forma de cessar todas as pressões que têm existido para a redução de funcionários e funcionárias públicas, para a redução daquilo que é o papel dos serviços públicos na sociedade”, disse.

A bloquista defendeu também que Portugal não precisa “de regras que façam prevalecer, no período pós intervenção da ‘troika’, as regras que foram impostas durante esse mesmo período”.

Quanto ao pilar do trabalho, o BE defende “uma linha orientada contra a austeridade”, que tem “sido uma espécie de linha padrão na União Europeia nos últimos anos e teve consequências dramáticas”.

“Propomos uma diretiva ‘anti-dumping’ sobre as formas contratuais, porque, como vimos nos últimos anos, houve um ataque direto e concreto à contratação coletiva, aos direitos laborais, e isso está a pôr em causa a nossa capacidade e a nossa condição de resposta numa Europa que ainda não saiu totalmente da crise, que não aprendeu nada com a crise, e que está a juntar dificuldades aquelas que já encontrámos”, salientou Marisa Matias.

Relativamente ao ambiente, a primeira candidata às eleições europeias apontou que atualmente se assiste a “uma crise climática profunda e existe uma espécie de negação coletiva em relação a essa crise climática”.

Por isso, os bloquistas advogam “o emprego verde”, através da criação de “milhões de postos de trabalho ancorados num desenvolvimento sustentável”.

Ainda neste âmbito, Marisa Matias defendeu se necessário “trabalhar para a eletrificação da ferrovia e dos transportes públicos” e “novos modelos de produção alimentar”.