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Bispo venezuelano alerta: ou morremos do coronavírus ou de fome

O bispo de San Carlos, a cerca de 250 quilómetros de Caracas, afirma que “a Venezuela entrou num período de fome”, observando que “as coisas pioram todos os dias”. “Não há suprimentos, funcionários motivados, comida. O país está a desmoronar-se. Precisamos pedir ajuda humanitária internacional porque, caso contrário, não temos outra alternativa: Ou morremos do coronavírus ou morremos de fome”, disse D. Polito Rodriguez Méndez à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O bispo de San Carlos explica que o Produto Interno Bruto “está abaixo de zero” e é o reflexo de uma “economia paralisada”, num país onde “não há indústria nem trabalho na agricultura”.

“Os mais afetados são os mais pobres, os que não têm nada para comer e não tem possibilidade de levar uma vida digna”, assinala.

Neste contexto, D. Polito Rodriguez Méndez frisa que precisam de “ajuda do exterior” para “dar algo para comer pelo menos uma vez por semana” às pessoas mais pobres.

A AIS adianta que na Venezuela “o nível de pobreza atingiu um patamar inimaginável no contexto da América Latina”, com 79% dos venezuelanos em condição de pobreza extrema, segundo um estudo sobre as condições de vida dos venezuelanos [ENCOVI], entre novembro de 2019 e março deste ano, promovido pela Universidade Católica Andrés Bello e o Instituto de Investigações económicas e sociais.

“Uma família ganha cerca de três ou quatro dólares por mês, mas uma caixa de ovos custa dois e um quilo de queijo três dólares… Antes, as pessoas eram pobres, agora não conseguem sobreviver”, referiu o bispo de San Carlos, observando que “tudo é ‘dolarizado’”.

Segundo D. Polito Rodriguez Méndez com a quarentena imposta para evitar a propagação do coronavírus Covid-19 “tudo ficou muito caro” e “é impossível continuar assim.”

O bispo, responsável pela Diocese de San Carlos há quatro anos, afirma que a Igreja também vive tempos muito difíceis e “os padres não têm nada para comer”.

“Vivemos da providência de Deus; Como Igreja, fomos capazes de ajudar muito nos últimos anos. Apesar das limitações pessoais, não vamos deixar as pessoas sozinhas nesta terrível situação que estamos a atravessar”, acrescentou D. Polito Rodriguez Méndez.

À fundação pontifícia, o bispo da diocese a cerca de 250 quilómetros a sudoeste da capital venezuelana Caracas alerta que toda a situação do país sul-americano “é muito deprimente” e “o número de suicídios aumentou”.