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Biika: “Onde a saudade é combinada com designs modernos”

© DR

Biika é um projeto criado pelo luso-alemão Patrick Marques, fundado “por amor a Portugal”. Lançado oficialmente em outubro de 2021, a marca tem vindo a ganhar destaque com produtos como chávenas de café, meias, t-shirts e hoodies, e ambiciona expandir ainda mais a sua oferta.

A ideia de criar algo que unisse o amor por Portugal à sua paixão por um bom expresso já existia dentro de Patrick há bastante tempo, mas ele ainda não sabia por onde começar. Foi então que, numa manhã na sua cozinha, em frente à máquina de café e com uma chávena na mão, partilhou a ideia com a sua esposa. “Vamos lá! Começa e não penses duas vezes!” — disse a esposa. Esse foi o incentivo que faltava. E assim, “nasceu o meu primeiro produto: a Biika chávena de café expresso”, explicou o fundador da marca.

Ao longo da jornada, Patrick enfrentou alguns desafios, nomeadamente, o facto de o projeto ser um trabalho a tempo parcial, já que continuava (e ainda continua) a trabalhar a 100% no seu emprego principal. Isso exigia muita disciplina e também alguns fins de semana.

Durante muito tempo, deixou-se afastar pela burocracia e pela complexidade de “navegar o mundo dos impostos”. No entanto, explicou que, quando se quer mesmo alguma coisa, tem de se ter ousadia para enfrentar problemas e, em áreas nas quais não se está tão familiarizado, pois existem sempre especialistas que podem ajudar, como consultores fiscais ou advogados. Acrescentou que, hoje em dia, tem-se acesso a tanta informação que só é preciso motivação para começar, e assim, com o tempo, tudo se vai descobrindo naturalmente.

O fundador de Biika afirmou que a maioria dos clientes são portugueses na Alemanha. “Os meus desenhos atraem-nos porque as pessoas reconhecem-se neles, nas origens e essência que os desenhos evocam”, explicou.

Para Patrick, a marca não tem de criar um conjunto de valores artificiais, mas sim de aproveitar a ligação existente a Portugal de uma forma natural e canalizá-la para os seus designs, apontando este facto como a razão pela qual o feedback que recebe é tão positivo, referiu que “as pessoas apreciam a ligação a Portugal que a marca personifica e identificam-se com ela”.

“Nós, portugueses no estrangeiro, amamos a nossa pátria. Cada um tem os seus pensamentos e memórias pessoais quando pensa na sua terra natal. E eu diria que provavelmente sentimos saudade um pouco mais intensamente do que os portugueses que vivem em Portugal. Mas todos temos orgulho na nossa cultura, nas nossas origens e na abertura que caracteriza os portugueses. É exatamente isso que tento captar nas minhas criações, e é isso que os meus clientes e comunidade tanto apreciam. Saudade combinada com designs modernos”, afirmou Patrick quando questionado sobre se os produtos que vende atenuam a nostalgia de Portugal vivida por muitos emigrantes.

Atualmente, muitos dos produtos de Biika são produzidos em Portugal. Patrick quer encontrar um equilíbrio entre as pequenas empresas familiares em Portugal e os grandes fabricantes. A longo prazo, espera ter todos os produtos fabricados em Portugal, esse é o seu grande incentivo.

Nos próximos anos, o jovem luso-alemão quer também concentrar-se ainda mais nos têxteis para transformar a Biika numa marca do tipo “urban fashion”. Patrick realçou que Portugal tem uma indústria têxtil com padrões muito elevados e é respeitada no mundo, querendo contribuir e levar a mesma qualidade ao mundo com os seus produtos.

Ao BOM DIA, o fundador explicou que a principal prioridade é aumentar o inventário e a carteira de produtos. Neste momento, a procura ultrapassa a oferta, o que resulta no rápido esgotamento dos produtos. Após encontrar um equilíbrio otimizado entre a oferta e a procura, tenciona expandir o negócio para outras geografias como o Luxemburgo, França e, claro, Portugal.

“Quem sabe, talvez um dia vejamos a seleção portuguesa de futebol com fatos de treino de Biika”, afirmou.

Aos portugueses das comunidades que sonham lançar um negócio próprio no estrangeiro, Patrick deixou o seguinte conselho: “Vamos lá! Começa e não penses duas vezes!”, o mesmo que lhe disse a sua esposa. O empreendedor considera que se a pessoa tem uma idea, deve sentar-se, fazer um plano e começar a trabalhar.

“Não vale a pena estragar a sua ideia ou passar muito tempo a ajustar o conceito. Comece e aprenda à medida que avança! E mais uma coisa: fale sobre a sua ideia com amigos, colegas e familiares. Muitas pessoas têm um medo infundado de não serem levadas a sério, ou rejeitadas, mas isso é um disparate”.

A experiência de Patrick mostrou-lhe que as pessoas gostam quando os sonhos são perseguidos e que o apoio da família e dos amigos é importante quando as coisas se tornam difíceis. “Falem sobre o assunto e vão ver que este será exatamente o impulso de que podem estar a precisar e, finalmente, só falta dizer: Vamos lá!”.

Patrick é um jovem luso-alemão, natural de uma pequena aldeia perto da Guarda, onde costumava passar férias com a família. Ao nosso jornal confidenciou que era sempre a melhor altura do ano e que ainda hoje aprecia a tranquilidade e a natureza da aldeia. Para ele, esse é o Portugal autêntico e real.

Texto: Álvaro Magalhães

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