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Bife sustentável? Investigadores portugueses têm a receita

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Uma equipa portuguesa investigou a fórmula mais sustentável para os produtores de bovinos reduzirem drasticamente a pegada da indústria. Criar os bovinos em sistemas de pastoreio adequados, corrigir a sua suplementação alimentar e saber escolher a raça é a solução apresentada por um grupo de investigadores do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa revelada num estudo recentemente publicado na revista “Environmental Impact Assessment Review”.

De acordo com o site Tempo.pt, a investigação defende que a carne bovina é o alimento com maiores emissões de gases GEE na sua produção. A necessidade de encontrar soluções para reduzir o seu impacto ambiental, levou a referida equipa a questionar se, mudando as condições desta indústria, os resultados poderiam ser diferentes.

Os investigadores estudaram os principais causadores de emissões GEE em diferentes modelos de produção pecuária para vacas e novilhos das regiões Centro e Sul de Portugal. Selecionaram também quatro raças (Alentejana, Angus, Charolais e Limousin, as três últimas entre mais utilizadas mundialmente para sistemas de criação de bovinos e vitelos).

Numa fase seguinte, avaliaram as condições e os resultados obtidos em animais criados em três modelos distintos: sistemas confinados, baseados em pastagens e mistos. Incluíram ainda variáveis, como idade de abate, ração e suplemento alimentar utilizados para os novilhos atingirem o seu potencial máximo de crescimento. Além disso, estudaram dois sistemas alternativos de pastagem (baixo rendimento/ manutenção e alto rendimento/ insumo).

Fabiana Bravo

A investigação adianta que os sistemas suportados em pastoreio tendem a ter menores emissões do que os que utilizam o confinamento apenas quando os animais recebem suplementação nutricional adequada. Contudo, se os bovinos em pastoreio não forem devidamente alimentados, o confinamento, nesse caso, pode ser a opção com a menor pegada de carbono.

A conclusão contraria a perceção geral de que a criação do gado ao ar livre (em pastoreio) é sempre mais sustentável. Porém, e de acordo com os autores, alguns sistemas de pastagens tendem a produzir mais emissões de metano.

Os motivos estão nas dificuldades dos animais em digerir a ração da gramínea, originando uma maior fermentação durante o processo digestivo e ainda as probabilidades mais reduzidas de aproveitarem os benefícios da suplementação alimentar adicional durante o pastoreio. O artigo científico também realça a importância da escolha da raça, já que algumas têm naturalmente uma menor pegada ambiental.

“Não existe uma solução única para a produção sustentável — as práticas de maneio, a escolha da raça e a qualidade das pastagens desempenham um papel crucial. Embora os produtores nem sempre possam controlar a redução da pegada de carbono, há medidas de mitigação que podem ser tomadas através de práticas ambientalmente mais responsáveis”.

Pesando estas e outras variáveis, as experiências levadas a cabo com bovinos criados em Portugal demonstraram que as emissões de GEE podem oscilar entre 124 kg e apenas 15 kg de dióxido de carbono (CO₂) e por 100 g de proteína, dependendo do sistema de produção adotado. Os autores alertam ainda para a importância de ponderar os custos ambientais da expansão das áreas de pastoreio, que contribui para a desflorestação, podendo anular os benefícios alcançados na produção.

Acrescente-se que o setor pecuário é responsável por cerca de 15% do total de emissões de gases com efeito estufa (GEE) a nível mundial. A produção de gado bovino, em particular, concentra entre 65% e 77% das emissões de dióxido de carbono.

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