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AVC: os filmes

Há uns dias em conversa telefónica, o meu pai perguntou-me que comprimidos estou a tomar. Respondi que eram cinco, mas um comprimido era tomado duas as vezes ao dia. Perguntou-me quais são. Respondi que eram para a tensão e certamente também para o colesterol. Mas fiquei muito surpreendido, ele continuou com as perguntas e afinal o que ele queria saber era o nome dos medicamentos. Não há grandes tabus na família mas eu não estava preparado sobre nome de medicamentos com o meu pai e achei esquisito mas foi uma simples curiosidade da parte do meu progenitor. Disse-lhe que os nomes seriam, talvez, todos acabados “ina” ou em “zon” ou “zan”, que os medicamentos acabam o nome quase todos da maneira como o dos sérvios e são tão compridos como o nome dos islandeses. Afinal o que ele queria era saber se eu me sentia bem com medicamentos que eu andava a tomar e enumerou os dele por ordem alfabética. Reclamou também de alguns deles com os quais não se sentia bem. Muito sinceramente, eu estava a ver a chegar a altura de ele me pedir emprestado os meus medicamentos para experimentar. Felizmente, tal não aconteceu ma o melhor é eu estar precavido para negar alguma coisa ao meu pai.

Também era compreensível. Estava a passar o período de quarentena com a mulher, com a filha e uma das netas. Queixou-se que três mulheres refilonas, era muito para ele e não merecia tamanha pena. Ainda para mais, discutiam e amuavam entre elas e quando lhe pediam a opinião, ele dava-a de bom grado e elas viravam-se todas contra ele. Realmente, o meu pai estava a passar um mau bocado e disse-lhe que com a idade dele ainda não aprendeu que um gajo não se deve envolver ou tomar partido em discussões entre mulheres pois, só ser serve para um homem ser enxovalhado e mal visto.

Ontem soube que um dos medicamentos que tomo tem duas funções: controlar a tensão e propositadamente. Quem me deu esta novidade foi o meu médico de família e explicou que quando estamos muito cheio de medicamentos, às vezes é necessário mudar a carga como nos camiões. Não entendi e vou continuar a tomar porque a partir de agora, passei a ser muito obediente embora eu só tenha dificuldade em urinar quando estão a falar para mim. Mandou-me fazer caminhadas, ter cuidado com a alimentação mas uma vez por outra, estar à vontade para comer leitão e cozido à portuguesa.

Mas voltando à enfermaria, e porque no quarto não ligação a um circuito interno, teria que ser através de TDT. O problema era o sinal ser tão mau e depois de muitas tentativas, resolvi colocar o telemóvel a servir de posto de acesso wi-fi e liguei o meu portátil telemóvel. O senhor Manuel estava impressionado e só pedia para eu ter calma e não irritar muito. O foi a partir daquele momento que passamos a ver os telejornais, os programas da manhã e filmes de cowboys, os preferidos do senhor Manuel, na Netflix. É certo que adormecia a meio de alguns. Para ser mais económica porque os meus dados móveis estavam a chegar ao fim e não me estava a apetecer pagar um aditivo, descobri que a rede interna do hospital para os utentes era bastante razoável. Uma boa companhia o senhor Manuel, falávamos sobre as notícias, sobre filmes, sobre a preocupação porque o filho estava no Luxemburgo a tentar regressar e o camião de mercadorias que ele conduzia estava temporariamente impedido de circular e faltavam dois dias para eu ter uma surpresa.

 

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