Auchan no Luxemburgo: Há vários produtos portugueses entre os mais vendidos
Chama-se Mathias Santerre o diretor do primeiro supermercado da cadeia Auchan a abrir no Luxemburgo. Há quase 30 anos, no Kirchberg, na capital luxemburguesa, esta grande superfície propõe uma oferta diversificada, onde os produtos portugueses brilham entre os favoritos dos clientes.
Em conversa com o BOM DIA, durante uma visita de responsáveis do projeto de promoção de produtos regionais Saveurs du Portugal, o diretor do Auchan Kirchberg revelou o sucesso de várias referências num mercado tão competitivo e cosmopolita.
Com 2.000 m² de área e uma clientela que reflete as 170 nacionalidades presentes no Luxemburgo, o Auchan Kirchberg destaca-se como um dos maiores e mais dinâmicos supermercados do país. A sua gama diversificada – que inclui produtos de todo o mundo – torna a logística complexa, mas também oferece uma oportunidade única para os produtos portugueses, adaptados aos gostos da crescente comunidade lusa e não só.
“A pressão sobre os preços é muito forte”, admite Mathias Santerre que afirma que é por isso que “alguns produtos podem até ser mais baratos aqui do que em Portugal”, mas é também isso que explica parte do seu sucesso. Mas não é só o preço que atraí os clientes: “a qualidade e a nostalgia desempenham um papel fundamental”, acredita Mathias Santerre, que conhece bem a comunidade lusa pois é casado com uma portuguesa, além de já ter trabalhado em Portugal.
Num português perfeito, explica-nos que os campeões de vendas vão do azeite à cerveja. “Na secção de azeites e óleos, dois produtos portugueses lideram as preferências: o óleo alimentar Fula é o mais vendido e o azeite Oliveira da Serra domina no seu setor”, afirma.

Na categoria das cervejas, a Super Bock surge como a segunda mais vendida no supermercado, um feito notável num mercado dominado por marcas internacionais e luxemburguesas (a primeira em vendas é a Bofferding). “A cerveja portuguesa é a mais barata, o que também ajuda a explicar as vendas elevadas” refere o diretor.
Quanto aos vinhos, a tendência é clara: os mais baratos são os mais vendidos. O Mateus (o famoso vinho rosé português) figura no top 10, “embora as vendas de álcoois em geral tenham vindo a diminuir nos últimos anos”, admite Mathias Santerre.
Nos sumos há outro nome bem português na liderança: a Compal é a marca mais vendida, não só entre portugueses, mas também entre clientes de outras nacionalidades. “O Compal já é internacional”, sublinha o diretor do Auchan Kirchberg.
Ainda nas bebidas, Santerre quis destacar a presença de um água lusa: “A única água portuguesa no segmento premium é a Monchique, que tem vindo a conquistar consumidores mais exigentes”.
De visita à prateleira das massas, Mathias Santerre refere a forte presença portuguesa e revela que duas referências da Milaneza estão no top 10 de vendas, “provando que a qualidade portuguesa é reconhecida apor todos os consumidores”.
Mas há produtos de nicho: “É a saudade que só os portugueses entendem”, explica o responsável, destacando a bolacha Maria e o Nestum. “Neste produtos sabemos que são sobretudo os clientes portugueses os mais fiéis consumidores”, explica, porque “são produtos que têm um público muito específico, ligado à memória afetiva”.
Outros produtos tradicionais também se destacam como a manteiga da marca Mimosa que é a segunda mais vendida no Auchan Kirchberg. Ou a marca Nobre, o fiambre mais procurado no supermercado.
Consciente do peso e da procura dos produtos portugueses e para garantir a autenticidade, o Auchan Kirchberg enviou dois padeiros a Portugal para aprender a fazer pão saloio, “que é agora o mais vendido na secção de padaria”, revelou Mathias Santerre.
Os produtos portugueses chegam ao Luxemburgo principalmente através do departamento de exportação do Auchan Portugal, mas há outras fontes de aprovisionamento, como a Bexeb (distribuidora especializada em produtos portugueses no Luxemburgo).
O Auchan Kirchberg prova que os produtos portugueses têm um lugar cativo num dos mercados mais diversificados da Europa. “Entre preços competitivos, qualidade reconhecida e o fator nostalgia, marcas como Compal, Super Bock, Oliveira da Serra e Milaneza conquistaram não só a comunidade portuguesa, mas também outros clientes seduzidos”, conclui Mathias Santerre, porque “os produtos portugueses têm aqui um público fiel e em crescimento e a tendência é que continuem a ganhar espaço”.
O BOM DIA falou com Mathias Santerre durante uma visita dos representantes de associações empresariais do Baixo Alentejo e do Alto Minho, a NERBE/AEBAL e a CEVAL que estão, no âmbito do projeto Saveurs du Portugal, a promover produtos dessas duas regiões no Luxemburgo, França e Suíça. Saiba mais sobre esse projeto aqui.